No final do ano passado, nos primeiros dias de novembro, aconteceu o World Employer Branding Day, com diversos painéis sobre o tema e, pela primeira vez, no formato 100% digital.

Tendências interessantes foram debatidas em seus painéis e acredito genuinamente que sua adoção pode mudar radicalmente o cenário que teremos em 2021 e nos anos que se seguem. Afinal, cada vez mais é senso comum o importante papel que as empresas representam em transformar nossas crenças, estilos de vida e sociedade. Sendo assim, é natural esperar que as organizações assumam esta responsabilidade e liderem importantes mudanças, para que outras possam segui-las pelo exemplo.

Apesar de o foco central dos debates ser em volta da marca empregadora, a maioria dos pontos discutidos não são de responsabilidade apenas da área de Pessoas, Comunicação, Marketing ou qualquer outra; e sim responsabilidades de toda uma companhia, de seu board de líderes e sócios e, claro, de todas as pessoas que a formam. No entanto, alguém deve iniciar este desafio. Mudanças precisam de alguém que as lidere. Logo, trago aqui neste texto dois importantes pontos para que você e sua empresa possam se inspirar por aí e, quem sabe, ser um dos pioneiros em nosso mercado!

From mission to mindset

Um dos investimentos interessantes a se fazer é fomentar uma mentalidade de crescimento nas empresas, alinhada ao reforço da sua missão e à construção de um ambiente em que as pessoas importam, podem ser elas mesmas e fazer o que amam. Se você equilibrar uma boa dose de autonomia com criatividade, terá das suas pessoas as melhores ideias possíveis!

Uma das coisas mais nobres que uma marca empregadora pode fazer é empoderar os seus funcionários a moldarem a empresa a si próprios, para que ela funcione a eles. A marca de uma empresa deve ser a sua missão, o seu propósito, a sua cultura, as suas pessoas e tudo o que ela faz. “From Mission to Mindset” deve ser mais do que um modelo de negócio, mas uma história e realidade vivenciada e contada, não importa onde o talento de uma organização esteja.

Para isso, é interessante reduzir o gap entre a cultura defendida e as realidades vividas na empresa. E, cada vez mais, precisamos incluir a agenda de bem-estar em nossos objetivos e estratégias. Afinal, a cultura e demais recursos devem ser ferramentas aos funcionários para apoiá-los na missão de transformar a empresa em uma jornada apaixonante e divertida, ao passo que geram valor ao cliente e ao negócio ao mesmo tempo.

Logo, além do “porquê”, preocupe-se cada vez mais pelo “como” você e seus funcionários fazem as coisas e reagem aos desafios do mercado e da organização. A autonomia ofertada deve vir junto a uma mentalidade de crescimento e melhoria contínua, bem como a uma responsabilidade por saber entender como cada ação ou decisão impacta em outra pessoa, dentro ou fora da empresa, e como potencializa o trabalho da companhia como um todo.

Leading Humanized Growth

As empresas hoje estão buscando um novo tipo de crescimento: humanizado. Mas, o que ele significa?

Por crescimento humanizado, podemos entender aquele que endereça as necessidades dos acionistas, consumidores, funcionários e comunidade, entre outros stakeholders. Uma vez que as empresas ocupam uma posição de liderança das mudanças, as suas conexões com as pessoas perfeitamente as colocam em um espaço em que conseguem reconhecer as necessidades de todos estes públicos e criar valor para eles.

Um estudo com mais de 8.000 líderes e CEOs criou um framework e recomendações práticas para inspirar líderes para o crescimento. A seguir, trago algum dos conceitos defendidos. Basicamente, os responsáveis pelo estudo criaram 7 pontos que diferenciam empresas de alta performance das aquelas com baixa performance, que eles chamaram de “Building blocks”. Estes podem ser segmentados em 3 grandes grupos:

  • O que elas fazem diferentemente;
  • O porquê elas fazem diferente e definem o mercado;
  • Como melhoram continuamente sua experiência aos consumidores.

O que elas fazem diferentemente

Eles encontraram diferenças sobretudo na forma como as empresas se organizam, considerando 3 pontos:

  • Cultura: são mais abertas e diversas;
  • Organização: são mais antecipativas, rápidas e conectadas;
  • Talento: são complementares, ao equilibrar tanto artistas como cientistas em seus times e tratar ambos como iguais.

O porquê elas fazem diferente e definem o mercado

A grande motivação por trás do crescimento humanizado é colocar o ser-humano por primeiro, e não o mercado de capitais ou os acionistas. Neste sentido, ele objetiva a criação e a entrega de valor a todos os stakeholders através do tempo.

Para as empresas com alta performance, a marca se torna um mecanismo de coordenação que prove orientação e guia a tudo, times e ativos, em direção a um objetivo comum e propósito. No entanto, a maioria das empresas, seja qual for sua performance, já tem esta consciência e concorda com isto. O problema, então, é em como fazer.

Como melhoram continuamente sua experiência aos consumidores

Aqui entra novamente o conceito de “open cultures” trazido acima. Culturas mais abertas e conectadas, em que os times trocam mais interações uns com os outros e até a liderança sênior se conecta com os seus funcionários de forma mais intensa em redes sociais e LinkedIn, trazem uma mentalidade mais focada nas pessoas, mais “human-centric”. Isto é importante porque o que as companhias fazem dentro de si próprias é o que os consumidores irão perceber lá na ponta, determinando seu sucesso financeiro.

Logo, sobretudo devido ao cenário da Covid, essas empresas top performers, e seus profissionais, esperam que a resiliência e empatia se tornem, cada vez mais, fatores críticos de sucesso às organizações, transformando-se também em mensagens mais atrativas as suas marcas empregadoras.

Como visto na primeira tendência, a marca, o propósito e o “porquê” das empresas devem garantir a unificação das estratégias e suas traduções adaptadas a cada stakeholder, matando os silos funcionais que impedem o crescimento. Além disto, é importante garantir certa dose de flexibilidade para não se prender ao passado, ao que costumava funcionar e, assim, tornar-se frágil. No cenário atual, é necessário que permitamos às pessoas existirem neste novo ecossistema, adaptando-se e fortalecendo-se no mercado – é necessário que elas se tornem antigrágeis.

Nesse sentido, cada vez mais aumenta a importância da influência de líderes e líderes de marketing na agenda de crescimento das organizações, focando nos consumidores e em todos os demais stakeholders, como funcionários e comunidade geral. A empatia nos ajudará a desacelerar para que consigamos priorizar melhor.

E qual o papel da Marca Empregadora nisso tudo? Bom, ela é a principal responsável por comunicar os traços de personalidade das empresas, para dentro e para fora. Exatamente agora, estamos vivendo um importante momento de verdade em nosso século e apenas marcas autênticas podem ser realmente transparentes. Sendo assim, aproveite esta oportunidade e desafio para iniciar uma mudança em nosso mercado, no “porquê” e no “como” agimos e nos relacionamos com as pessoas e o mundo. Reforce a sua missão, construa uma mentalidade próspera, centre-se nas pessoas e as empodere para também mudarem as suas realidades e cenários. Com isto, podemos inspirar uma sociedade mais empática, humana e responsavelmente produtiva.

Até o próximo texto!

Ana Carolina Lafuente
Por Ana Carolina Lafuente

Carioca de nascença, paulista de coração, meio brasileira e meio espanhola. Ana Carolina é formada em Publicidade e Propaganda pela ESPM Rio. Apaixonada por comportamento humano, começou a se aproximar da área de Pessoas na empresa júnior da faculdade e não largou mais dela desde então. Descobriu seu amor pelo empreendedorismo e seguiu sua carreira ajudando principalmente startups ou empresas em crescimento exponencial. Atuou em Employer Branding na Stone Pagamentos, tempo em que se especializou no tema através de cursos na ESPM e Lemonade School. Recentemente, concluiu uma formação em Product Management pela PM3 e hoje toca a área de Employer Branding da Collact, plataforma de CRM e fidelização de clientes, detentora do app e diretório ‘Compre Local’ e investida da Stone Pagamentos. Além disso, Ana ama escrever, descobrir diferentes culturas, viajar, conhecer novos lugares, bares e restaurantes, cozinhar, fazer exercícios, yoga e não dispensa um bom café ou uma taça de vinho.