Personalização, customização e autenticidade são palavras importantes na atualidade, especialmente para as novas gerações.

Já foi-se o tempo que o marketing de massa, feito para vender para as multidões, deixou de ser aclamado. Cada vez mais os jovens procuram demonstrar identidade própria transformando sua forma de comprar e ver o mundo em algo que tenha propósito, que seja inspirador e “feito para eles”, em uma busca assídua por autenticidade, produtos diferenciados e experiências que possam expressar sua individualidade.

Nos dias atuais, quando temos que escolher entre o normal e o único, quase sempre escolhemos o único. E quando pensamos no mercado de trabalho, acontece o mesmo, por isso tantas empresas continuam falhando na atração e na retenção de talentos, uma vez que continuam fazendo a promoção da sua marca empregadora de maneira massificada, ignorando justamente que as novas gerações buscam cada vez mais empresas únicas para trabalharem.

9 em cada 10 sites de carreira ou post nas redes sociais das empresas oferecem: oportunidades de crescimento, equipes diversas, empresas inovadoras e um convite para candidatos fazerem parte do impacto que a empresa x faz no mundo. Vendo essas características, você pode pensar em centenas de marcas empregadoras, mas não em uma marca específica. Na era da personalização, as empresas estão na contramão, deixando de usar o poder do EVP – Employer Value Proposition ou Propostas de Valor do Empregador (para os Empregados) de forma genuína, transparente e única para se destacar na multidão que busca talentos.

As empresas estão com extrema dificuldade de adaptação e medo de se jogarem verdadeiramente nesse novo mundo. É mais fácil e seguro utilizar atributos de marca genéricos, mas, é justamente aí que mora o perigo. Se todas as empresas têm mostrado os mesmos atributos, como atrair e reter justamente os novos profissionais que buscam autenticidade e experiências personalizadas no trabalho?

No fundo, quando se trata de atrair e reter talentos, somos ainda empresas avessas ao risco, com foco na promoção de marca empregadora de volume e com medo de desviar nossas propostas de valor daquilo que a maioria oferece.

Geralmente os executivos e líderes das empresas insistem em não ver valor no EVP ou não querem investir na identificação adequada das propostas de valor do empregador, com isso não percebem que os talentos escorrem por suas mãos. O resultado são empresas promovendo como “promessas perfeitas” aos talentos somente aquilo que elas acham que deve ser compartilhado, sem jamais deixar suas fragilidades virem à tona e não trazendo aquilo que tem de maior valor, que são as realidades únicas, genuínas, verdadeiras e autênticas. Será que não é justamente o contrário que os talentos querem?

Falamos tanto em vulnerabilidade como sendo uma das principais novas habilidades dos profissionais que vão sobreviver aos novos tempos, mas não conseguimos traduzir a vulnerabilidade das nossas marcas empregadoras. Continuamos escondendo nossas imperfeições como empregadores debaixo do tapete, como se elas não fossem ser descobertas nunca. As empresas ainda não entenderam que compartilhar falhas faz parte da autenticidade que buscam os novos talentos.

A ausência do EVP ou a idealização exagerada das propostas de valor ou não identificação correta dessas propostas ou a massificação das mesmas, não causam impacto. Não há histórias para contar, exemplos reais e emocionantes do impacto que os talentos podem fazer na empresa x, mesmo com falhas.

Se, nos dias atuais, quando temos que escolher entre o normal e o único, quase sempre escolhemos o único, mas a sua empresa é a normal…você vai ser escolhido por quem?