As lideranças atuais têm muitos desafios a serem enfrentados. Muitas das vezes, o ‘painful learning’, aprendizado prático a partir de erros, ainda é o caminho mais usado. Mas, podemos ser mais preditivos do que reativos quando se trata de mudanças. Por exemplo, podemos entender o nosso contexto, perceber insights, traduzi-los em um plano de ação que (re)defina um norte a seguir e (re)conectar as pessoas para estarem mobilizadas a agir.

No entanto, isso não é tão fácil assim, não é? Para isso, é necessário uma liderança próxima, que comunique frequentemente, mantenha rituais vivos e, acima de tudo, cultive relações internamente. Em resumo, é necessária uma liderança mais humana, empática e colaborativa. É sobre isto que falaremos neste texto!

Como ser uma liderança mais humana?

De forma geral, podemos investir no desenvolvimento da empatia e da confiança. Empatia é importante para nos tornar sensíveis às diferentes realidades e Confiança, por sua vez, nos permite tomar as atitudes precisas uma vez que a sensibilidade nos ajudou a decidir o que fazer. Mas, claro que os líderes não devem estar sozinhos nesta. É crucial que o time de RH os apoie neste movimento. Mais do que isso, podemos liderar e gerenciar este movimento. Como?

  1. Construa o contexto necessário e viabilize a mudança: atue em cima de comportamentos a partir da Cultura, de Modelos de Incentivo, de Modelos de Gestão, de Rituais e Símbolos, etc.
  2. Modele os comportamentos esperados e seja você mesmo(a) um exemplo deles;
  3. Seja coach dos líderes da sua empresa: identifique as boas e
    más práticas e forneça feedback constante.

Uma estratégia interessante, caso seja uma realidade na sua empresa, é utilizar da empatia para com os clientes. Se sua empresa tem uma mentalidade de proximidade e escuta ativa com os seus clientes, utilize técnicas semelhantes de Design Thinking e Metodologias Ágeis também para os clientes internos. Outras coisas interessantes de se pegar emprestado de outras áreas são a mentalidade data-driven e a cultura de liberdade (falei um pouco delas aqui).

Como medir uma liderança engajadora, empática e confiável?

Existem algumas formas de se fazer isso. Você pode realizar pesquisas internas para medir o que chamamos de ‘Employee Experience’ (EX), que podem vir na forma de Pesquisas de Clima, ENPS ou Pulsos (pesquisas periódicas mais curtas que servem de termômetro).

No entanto, pela avaliação de desempenho é possível fazer um mapa mais robusta da sua liderança. Ter um canal de Ouvidoria também pode ser útil para atacar problemas mais graves. Além disso, acompanhar o engajamento das pessoas nos projetos, reuniões e interações internas indica bem o quanto elas se sentem consideradas e valorizadas.

Uma dica aqui é ser vulnerável! Uma liderança que se assume vulnerável, falha e humana se conecta, gera empatia e, assim, oferece liberdade para as pessoas se abrirem e confiarem mais na empresa.

Como equilibrar o foco em resultado e o estímulo à empatia e vulnerabilidade?

Há algumas premissas para nos ajudar aqui. Se as pessoas e líderes  são autênticos a si mesmos, eles conseguem ter o que chamamos de ‘segurança psicológica’. Ela dá, por sua vez, espaço aberto à vulnerabilidade e à empatia. E o RH também pode dar mais luz a isso, seja pela transparência, pela comunicação, pelo desenvolvimento de lideranças ou pela construção de práticas de reforço.

Nesse sentido, é necessário que o RH seja capaz de retirar rigidez/obstáculos dos seus processos, bem como de repensar e criar soluções junto com a empresa e os outros times, não sozinho. Para alcançar isso, precisamos aprender! Aprender a sermos mais colaborativos, a partir de times multidisciplinares e de rituais ágeis. Assim como falamos na área de Produto, não podemos nos apaixonar por soluções, e sim por resolver problemas. Temos que ajudar a acelerar os processos da empresa, levando as soluções ao futuro!

Dicas práticas para começar a liderar e gerenciar este processo:

  1. Tudo começa na estratégia: esteja sempre próximo ao negócio e engaje a liderança na estratégia de talentos;
  2. Aproxime-se das pessoas e time: navegue por suas realidades, converse, faça testes, colha feedbacks e tome decisões em conjunto;
  3. Atente-se aos dados e fatos: tenha mentalidade data-driven, assim fica mais fácil identificar oportunidades, convencer pessoas e levantar recursos;
  4. Ouse: este é o momento de o RH guiar as organizações, assumir o curso da ação. Toda empresa é formada de pessoas, portanto, faz total sentido que sejamos protagonistas das mudanças e lifelong leaners (capazes de inovar, com produtividade e resultado).

Se você está hoje no time de RH e tem a possibilidade de direcionar mudanças, você tem um privilégio e tanto. Por isso, abrace e não  deixe escapar! Esteja próximo e seja parte da estratégia da sua empresa, bem como também esteja próximo das suas pessoas. Assim, podemos realmente fazer mágica!

Ana Carolina Lafuente
Por Ana Carolina Lafuente

Carioca de nascença, paulista de coração, meio brasileira e meio espanhola. Ana Carolina é formada em Publicidade e Propaganda pela ESPM Rio. Apaixonada por comportamento humano, começou a se aproximar da área de Pessoas na empresa júnior da faculdade e não largou mais dela desde então. Descobriu seu amor pelo empreendedorismo e seguiu sua carreira ajudando principalmente startups ou empresas em crescimento exponencial. Atuou em Employer Branding na Stone Pagamentos, tempo em que se especializou no tema através de cursos na ESPM e Lemonade School. Recentemente, concluiu uma formação em Product Management pela PM3 e hoje toca a área de Employer Branding da Collact, plataforma de CRM e fidelização de clientes, detentora do app e diretório ‘Compre Local’ e investida da Stone Pagamentos. Além disso, Ana ama escrever, descobrir diferentes culturas, viajar, conhecer novos lugares, bares e restaurantes, cozinhar, fazer exercícios, yoga e não dispensa um bom café ou uma taça de vinho.