Sempre admirei o mundo dos esportes pela mentalidade de excelência e disciplina que disseminam nas pessoas que fazem parte deste universo; e acredito, genuinamente, que há muitos ganhos em trazermos algumas de suas referências para o mundo corporativo.

No entanto, tive ainda mais certeza disso depois de assistir a uma palestra sobre os ensinamentos do livro O algoritmo da vitória, de José Salibi Neto e Adriana Salles Gomes. Basicamente, o livro faz um paralelo entre o mundo dos esportes e o organizacional para que empresas consigam aproveitar de vários elementos do primeiro para serem melhor sucedidas no segundo.

Vou trazer um pouco desses conceitos aqui, neste texto, para tentar inspirar aqueles que buscam formas mais inovadoras de potencializar sua liderança e/ou negócios.

8 premissas para se ter em mente

  1. Um bom técnico reconhece os melhores talentos. Sendo assim, consiga analisar o potencial de campeão nas pessoas.
  2. Além disso, adote o chamado kaizen mental, ou seja, a mentalidade de melhoria contínua em tudo o que faz.
  3. Saiba escalar um bom time, capaz de conquistar vitórias e superar derrotas.
  4. Tenha um código de comunicação com o seu time. Ter um universo de palavras-chave e códigos, sobretudo em momentos em que o estímulo e a motivação estão mais em jogo, é essencial e uma estratégia usada por grandes técnicos.
  5. Entenda o que é uma estratégia e as realize, de forma constante e profunda.
  6. Promova um ambiente de crescimento. Para isto, use recursos da cultura da sua empresa, bem como um bom equilíbrio entre estabilidade e instabilidade (necessária ao crescimento). Mantenha uma espécie de “insegurança saudável”.
  7. Tenha paixão por aprender. Seja o que chamamos de life-long learning. Técnicos bons são aqueles que estudam e aplicam seus aprendizados, o que se torna ainda mais importante no mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo) em que vivemos.
  8. Entenda que todos os demais itens acima devem ser combinados para formar o que os autores denominam como “Algoritmo da Vitória”. Não há como escolher um ou outro para poder vencer os desafios que temos pela frente. São necessários uma combinação e um equilíbrio entre os sete pontos.

O que os esportes ensinam um líder a fazer

Em uma parte da palestra, essa dualidade entrou em foco e algumas questões importantes foram defendidas.

Para começar, quando falamos em uma boa liderança, falamos, naturalmente, em formação e desenvolvimento de pessoas. Um líder não deve focar apenas no óbvio, na gestão de projetos e resultados ou habilidades técnicas dos liderados; ele deve focar em melhorar e desenvolver seus liderados e pares também nas chamadas habilidades comportamentais ou “soft skills”.

Dentre elas, há uma quase sempre negligenciada: autoconfiança. Um bom líder deve procurar desenvolvê-la em seu time antes de mais nada. Além dela, também é importante que ele seja capaz de inspirar sua equipe em termos de Cultura e Valores. E se engana quem pensa que estes se referem apenas aos da empresa. Segundo os autores, grandes técnicos trabalham valores universais com os seus atletas, como: transparência, ética, trabalho em time, etc.

Em um segundo momento, com o time mais maduro, é interessante que o líder comece a desenvolver também um amor pelo treino, ou, poderíamos dizer, um amor pelo processo e pela jornada. Faça com que eles sempre sejam mais importantes do que o resultado final em si. Até porque, se assim for, é como se todo o trabalho ao longo de um projeto ou trimestre não valesse a pena e não fosse prazeroso antes do seu final. Além disso, é importante que se estimule a autonomia, que as pessoas sejam capazes de decidir e andar sozinhas, sem tutela permanente do líder.

Talento Individual X Talento Coletivo

Por fim, como debati melhor neste texto, é preciso aliar bem uma cultura colaborativa e um time de alta performance. Como diz o Bernardinho:

“Todo esporte é um esporte coletivo, mesmo o individual”.

Bernardinho

O que ele quer dizer? Cada performance individual depende, em sua essência, de um esforço coletivo, inclusive a performance de líderes. Por isto, lembre-se: todo líder precisa do time e precisa de um time que seja autônomo.

Segundo uma tenista americana, a grande marca do campeão é quando ele consegue vencer quando não está jogando bem e quando as emoções não são as esperadas. Como falamos antes, vivemos em um mundo altamente volátil, incerto, complexo e ambíguo (VUCA), que, por si só, já traz uma série de desafios a qualquer profissional e líder. A grande questão, então, é: como você vai superar as dificuldades, suas emoções e desequilíbrios para alcançar a vitória? Como você será, também, um campeão?

Ana Carolina Lafuente
Por Ana Carolina Lafuente

Carioca de nascença, paulista de coração, meio brasileira e meio espanhola. Ana Carolina é formada em Publicidade e Propaganda pela ESPM Rio. Apaixonada por comportamento humano, começou a se aproximar da área de Pessoas na empresa júnior da faculdade e não largou mais dela desde então. Descobriu seu amor pelo empreendedorismo e seguiu sua carreira ajudando principalmente startups ou empresas em crescimento exponencial. Atuou em Employer Branding na Stone Pagamentos, tempo em que se especializou no tema através de cursos na ESPM e Lemonade School. Recentemente, concluiu uma formação em Product Management pela PM3 e hoje toca a área de Employer Branding da Collact, plataforma de CRM e fidelização de clientes, detentora do app e diretório ‘Compre Local’ e investida da Stone Pagamentos. Além disso, Ana ama escrever, descobrir diferentes culturas, viajar, conhecer novos lugares, bares e restaurantes, cozinhar, fazer exercícios, yoga e não dispensa um bom café ou uma taça de vinho.