Não sou uma especialista no tema, mas tenho estudado algumas coisas sobre desde que comecei a atuar com Employer Branding; afinal, uma das premissas da área é permitir a conexão entre pessoas e empresas que possuam ‘propósitos’ semelhantes ou alinhados entre si. Por isso, neste artigo, vou tentar reunir alguns conceitos e ferramentas para ajudar quem está em busca do seu ‘lugar no mundo’.

O QUE É FELICIDADE (NO TRABALHO)?

Acredito que o crescente foco em ‘propósito’ passa muito pelo nosso  desejo intenso em sermos felizes. Não à toa, um conceito atrelado à marca empregadora é o de ‘Felicidade no Trabalho’. Para entendermos o que ela é, vamos antes ao conceito de ‘felicidade’.

Ela ganhou mais atenção através da Psicologia Positiva, que estuda as emoções positivas, virtudes e potenciais de cada indivíduo. Um dos nomes expoentes nesta corrente é a Dra Sonja Lyubomirsky, que define a felicidade como “a experiência de contentamento e bem-estar combinada à sensação de que a própria vida possui sentido”. Opa, esta parte de ‘sentido’ parece remeter a algo, não? Propósito! Sim, segundo a Psicologia Positiva, ‘Felicidade’ é a junção de ‘Emoções Positivas’ e ‘Propósito’. (Quem quiser saber mais sobre o trabalho da Dra pode ler o livro ‘The How of  Happiness’ e/ou ver suas palestras sobre o tema, como a de abaixo).

Neste contexto, ‘Felicidade no Trabalho’ seria algo como a percepção de que o tempo no trabalho é bem vivido, com motivação, e de que o que se faz tem valor. Outro ponto de atenção aqui: ‘valor’ ao outros, ou seja, algo que vai além de mim. Isso também se relaciona ao ‘propósito’.

Mas por que buscar a tão falada ‘felicidade no trabalho’? Os benefícios às pessoas são mais claros, uma vez que ela intensifica nossa saúde mental, saúde física e, assim, permite uma vida mais longa e de qualidade. Quem não quer isso, não é mesmo? E para as empresas? Bem, para as empresas as vantagens podem ser ainda maiores. Segundo pesquisas de mercado, a felicidade no trabalho pode aumentar consideravelmente os índices de produtividade e retenção e reduzir os de ausência por doença e, claro, turnover. Além disso, ela estimula outra questão muito debatida na área de Gestão de Pessoas: o Engajamento.

Apesar disso, de acordo com uma pesquisa ‘Purpose at Work Global Report, 2016’, apenas 37% das pessoas trabalham com propósito. Por quê? Estamos sequer nos dando a chance de descobrir o nosso propósito?

Vamos entender bem a noção de ‘Propósito’, e como nos conectarmos a ele, a seguir.

O QUE É PROPÓSITO?

Muitos entendem propósito como ‘seu lugar no mundo’ ou significado. O Propósito realmente nos ajuda a encontrar um lugar confortável na vida, à qualquer hora, mas não é apenas um significado. Significado é algo que faz sentido a nós, mas o propósito precisa ir além. Ele é algo inerente a nós e que nos põe em movimento. Eu me ponho em ação para ter sentido na vida. E pasme: propósito pode ser encarado como uma necessidade psicológica básica (junto à autonomia, à competência e ao pertencimento).

Essa tal busca de sentido é algo totalmente humano, segundo o psiquiatra Viktor Frankl. Ele é o criador da ‘Logoterapia’, que explica o propósito. Nela e em seu livro ‘O homem em busca de um sentido’, ele defende que a falta de sentido causa problemas de saúde mental e, assim, busca ajudar as pessoas a encontrar sentido em suas vidas para que possam resolver os seus problemas. Uma das frases mais célebres dele é:

“Quem tem um porque enfrenta qualquer como.”

Outro profissional que enfoca seu trabalho em propósito é Arnaldo Neto. Em seu livro ‘Vivendo de Propósito’, ele explica como acabamos confundindo o conceito com diversas outras coisas.

Aqui vão alguns esclarecimentos do que NÃO É PROPÓSITO:

  • Missão: propósito não é missão. A missão é uma ação que bebe da fonte do propósito;
  • Objetivo: propósito também não é objetivo porque visa ao outro, enquanto objetivo é algo para nós mesmos;
  • Trabalho: é apenas o meio pelo qual eu exerço o meu propósito;
  • Slogan: ao contrário dele, propósito não se cria e não se anuncia, se reconecta;
  • Sonho: ele é algo concreto, que realiza o propósito;
  • Felicidade: olha ela aqui! Por fim, propósito não é felicidade, ele gera a felicidade, que é sempre consequência.

Sendo assim, o que, de fato, é propósito?

PROPÓSITO É:

  • O que você nasceu para fazer;
  • O impacto que veio gerar neste mundo;
  • Como você pode ajudar as pessoas;
  • Como usar seus talentos para contribuir com o mundo;
  • Como se manter eterno através do outro;

A maior contribuição que você pode entregar para as pessoas e para o mundo. É algo que vai além de você.

Arnaldo defende que podemos encontrar o nosso propósito na dor e no amor (talentos, valores, sonhos e paixões). Quando crianças, é mais fácil irmos através do amor porque estamos constantemente em contato com nossas paixões e talentos. No entanto, à medida que vamos crescendo, acabamos nos desconectando e o mundo nos envia cobranças, frustrações e dores para nos reinventarmos. Aqui está a grande sacada! Quando resolvemos sanar estas dores ou lidar com elas, geramos aprendizados que podem ajudar outras pessoas que estão passando pelo mesmo problema. Em algum lugar aí, está o seu propósito!

E você, o quanto está vivendo com propósito? Faça este teste aqui para descobrir: https://feliciencia.com.br/proposito/

Se fez o teste e percebeu que não está vivendo com tanto propósito como gostaria, não se preocupe! Eu tive a mesma percepção. Mas, como sempre estamos em tempos de descobri-lo, vamos focar nisso abaixo:

COMO RECONECTAR-ME AO MEU PROPÓSITO?

Importante já alinhar a expectativa aqui de que não há fórmula mágica  para isso. O Arnaldo traz um framework através do qual podemos melhor acessá-lo, mas, como tudo na vida, os resultados dependem muito do autoconhecimento e do esforço e sinceridade de cada um ao fazer o exercício. Curioso(a) para saber que caminho é esse? Vamos lá!

  1. Em uma folha de papel, faça três (3) colunas. Na primeira, dê o  título de ‘Maiores Dores’, na segunda, seus ‘Maiores Aprendizados’ e, na terceira, suas ‘Maiores Contribuições’ aos outros;
  2. Em seguida, liste todas as suas principais dores e, para cada uma delas, preencha nas colunas ao lado os aprendizados que ela te proporcionou e o que você poderia ensinar a outras pessoas na mesma situação;
  3. Depois, tente definir, de todas as suas dores listadas, qual é a sua ‘dor original’, ou seja, aquela que possivelmente gerou as outras;
  4. A partir dela, seus aprendizados e contribuições, tente rascunhar a sua Declaração de Propósito da seguinte forma: “Ajudar pessoas (dores) para que (contribuição/impacto)”.

Lembre-se de um dito popular que diz: “a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”. Voltando a Dra Lyubomirsky (lembra dela lá em cima?), ela defende, segundo estudos, que 50% da nossa felicidade é geneticamente determinada, 10% é devido às próprias circunstâncias da vida e 40% depende dos nossos pensamentos e ações, portanto, nossas atitudes sobre o que acontece com a gente.

Afinal, o que é e como se reconectar ao seu propósito?

Relacionado a isso, está a citação do religioso Charles R. Swindoll:

“Life is 10% what happens to you and 90% how you react to it.”

Isso significa que o tal do ‘mindset’ pode ser crucial para determinar nossos sucessos ou fracassos. Também significa que podemos trabalhar arduamente para sermos felizes. Mas, nós estamos realmente fazendo isso? Estamos investindo grande parte das nossas horas e dias em algo que vá realizar o nosso propósito?

PROPÓSITO NO TRABALHO

Quando não trabalhamos com o nosso propósito, ficamos hiperativos e ansiosos (um dos grandes males da nossa geração, aliás). Mas, quando nos reconectamos, conseguimos voltar à rota, ao nosso foco, e ter um ambiente seguro para exercer o nosso propósito. Isso porque a conexão ao que me move na vida pode funcionar como âncora, que me dá estabilidade emocional e mental.

De forma mais prática, o propósito no trabalho gera: + motivação intrínseca / + satisfação com o trabalho / + sentido de vida e – depressão (atualmente, a doença mais incapacitadora ao trabalho no mundo. Junto com a ansiedade, ela chega a atingir mais de 500.000.000 de pessoas no mundo, dentre as quais apenas 20% se tratam).

O Dr. Michael Steger, pesquisador de sentido e propósito na Colorado University, defende que para se ter propósito no trabalho, precisamos preencher três (3) níveis:

  1. Ter uma função legítima;
  2. Ter ressonância com seu propósito de vida;
  3. Servir a algo maior.

E aí? Será que você está trabalhando com propósito? Alguns sinais podem te dar essa resposta:

  • Há alinhamento de valores (estado mental ou emocional que governa sua vida) entre seu trabalho e sua vida?
  • O trabalho mobiliza as suas forças de caráter? (Se não sabe quais são elas, descubra neste teste aqui)
  • Ele te propicia desenvolvimento pessoal?
  • Ajuda a desenvolver sólidas relações?
  • Te permite impactar positivamente a sociedade?

Mas não se engane, mesmo assim, haverá imprevistos e surpresas no meio do caminho como a que estamos vivendo atualmente. Entretanto, a crise é também um dos melhores momentos para nos reinventarmos e arriscarmos. Afinal, não é justamente isso que tentamos fazer com o propósito? Encontrar e gerar significado e verdade na dor. Boa sorte na sua busca!

P.S.: Os conceitos e ferramentas deste artigo retirei de três cursos online que indico a quem interessar: ‘The Science of Well-Being’, pela Universidade de Yale e gratuito na Coursera.org / Inteligência Emocional na Conquer / Produtividade, Gestão do Tempo e Propósito pela PUC-RS.

Ana Carolina Lafuente
Por Ana Carolina Lafuente

Carioca de nascença, paulista de coração, meio brasileira e meio espanhola. Ana Carolina é formada em Publicidade e Propaganda pela ESPM Rio. Apaixonada por comportamento humano, começou a se aproximar da área de Pessoas na empresa júnior da faculdade e não largou mais dela desde então. Descobriu seu amor pelo empreendedorismo e seguiu sua carreira ajudando principalmente startups ou empresas em crescimento exponencial. Atuou em Employer Branding na Stone Pagamentos, tempo em que se especializou no tema através de cursos na ESPM e Lemonade School. Recentemente, concluiu uma formação em Product Management pela PM3 e hoje toca a área de Employer Branding da Collact, plataforma de CRM e fidelização de clientes, detentora do app e diretório ‘Compre Local’ e investida da Stone Pagamentos. Além disso, Ana ama escrever, descobrir diferentes culturas, viajar, conhecer novos lugares, bares e restaurantes, cozinhar, fazer exercícios, yoga e não dispensa um bom café ou uma taça de vinho.