Nos textos passados, venho trazendo estratégias e coisas que, segundo cientistas, devemos desejar para conseguirmos, de fato, alcançar a felicidade e bem-estar. Há itens que queremos “de forma errada” e itens que não queremos, mas deveríamos.

É sobre esse segundo conjunto de estratégias que terminaremos de falar hoje.

Melhor Querer #2 – querendo melhores coisas que não desejamos ainda

E. Práticas Saudáveis

Práticas como ‘Exercícios’ e ‘Sono’ nos fazem mais felizes, melhoram nossa performance e ainda nos dão uma melhor aparência. Além disso, são gratuitas, legais e sem efeitos colaterais. Vamos ver mais sobre elas abaixo:

#1 Exercícios

Alguns estudiosos procuraram entender os efeitos dos exercícios físicos em nossa saúde e felicidade. Um deles foi Babyak et al. (2000), que viu

que malhar três vezes por semana tem o mesmo efeito que remédios na recuperação de depressão. De forma mais ampla, Hillman et al. (2008) comprovou que exercícios podem potencializar nossas funções cerebrais e cognitivas, como o aprendizado. Isso quer dizer que atividades físicas levam a melhor performance acadêmica e também impactam performance cognitiva em pessoas mais idosas.

#2 Sono

Devemos priorizar o nosso sono para manter nosso próprio humor, além  de ajudar nossa performance e nos fazer mais felizes, assim com os exercícios físicos. De forma semelhante também, mais alguns pesquisadores fizeram experimentos sobre isso.

Dinges et al. (1997) viu que o hábito de dormir menos do que 5h por dia (‘sono privado’) reduz nosso vigor e humor e aumenta nossas reclamações. Por outro lado, dormir ao redor de 7h por dia traz o efeito inverso. Além disso, Walker et al. (2002) observou que dormir mais nos ajuda a aprender habilidades motoras. É por isso que algumas pessoas defendem aquelas famosas “sonecas” ao longo do dia, para que possamos recuperar nossa capacidade de raciocínio e até a nossa criatividade de pensar “fora da caixa”.

De forma relacionada, Wagner et al. (2004) e Huffington Post viram que uma má noite de sono (menos que 5 horas) nos faz:

  • ser mais emocionais;
  • ter menos foco e mais problemas de memória;
  • ter mais fome e vontade de comer;
  • ter mais probabilidade de acidentes;
  • ter pior aparência;
  • perder tecido cerebral;
  • perder número de espermas (nos homens);
  • ter mais risco de gripe e outras doenças crônicas, de coração, cânceres, obesidade e derrame.

Portanto, há cinco (5) principais coisas que deveríamos desejar: Gentileza, Conexão Social, Afluência de Tempo, Controle da Mente e Práticas Saudáveis.

Mas, isso nos faz questionar: agora que sabemos que devemos querer estas coisas, como ir além?

No próximo texto, e parte final da série, trarei estratégias para que possamos criar melhores hábitos. Até lá!

A Ciência do Bem-Estar - Parte 6

Busque atividades que te façam aprimorar suas habilidades, mas com o nível apropriado de desafio.

“Os melhores momentos em nossas vidas não são os passivos, receptivos e relaxantes. Os melhores momentos geralmente ocorrem se o corpo ou a mente de alguém está esticada aos seus limites em um esforço voluntário para realizar algo difícil e gratificante.” – Mihaly Csikszentmihal yi

Outro pesquisador viu que um bom sentimento no trabalho estava atrelado a um alto desafio e a situações que exigiam altamente o uso das habilidades; justamente o estado de Flow. Isso porque ele promove o senso de eficácia e de auto-confiança.

No entanto, curiosamente, o que nós buscamos fazer quanto temos tempo livre? Procuramos atividades que nos desafiem ou aquelas que não nos façam pensar muito? Mais uma vez, prevemos erroneamente que estas atividades nos trarão prazer quando, na verdade, nos deixam entediados. Portanto, na próxima vez em que tiver horas livres, desconstrua suas crenças sobre trabalho X lazer e tente buscar atividades desafiadoras, que estimulem o melhor das suas habilidades!

Boas notas/Boa performance

Assim como um salário mais alto, ter boas notas ou ter boa performance não trazem a felicidade que acreditamos e prevemos (o velho problema do mispredict que falamos em textos anteriores). Isto porque estão relacionadas ao conflito entre Motivação Extrínseca X Motivação Intrínseca.

Motivação Extrínseca é se engajar em um comportamento para ganhar recompensas externas ou para evitar punições. Enquanto a Motivação Intrínseca é se engajar em um comportamento porque você desfruta a atividade por si só, ninguém precisa te pagar a mais ou te dar mais recompensas por isso.

Deci (1971) fez um teste e comprovou que a motivação externa (ex: dinheiro) pode, inclusive, matar e minar a motivação interna. Isso porque a pressão por boas notas e um bom trabalho pode nos fazer esquecer o porquê estamos lá e o porquê desfrutamos daquelas atividades. De forma geral, a motivação externa pode minar o que chamamos de ‘Mentalidade  de Crescimento’.

Carol Dweck, em seu reconhecido livro ‘Mindset: A nova psicologia do sucesso’, apresentou a dualidade entre os dois tipos de mentalidade que podemos adotar em nossa vida. São eles:

  • Mentalidade de Crescimento: a crença de que a inteligência pode ser treinada e de que a maioria das habilidades pode ser desenvolvida através de dedicação e trabalho duro;
  • Mentalidade Fixa: a crença de que qualidades básicas como a inteligência e os talentos são traços fixos; ou você os tem ou não. Ela defende que a vida vai te mostrando as atividades em que você é bom/boa ou não e que você não pode fazer muita coisa para mudar isso.

Ambas a mentalidades impactam bastante na forma como aprendemos, performamos e, sobretudo, lidamos com o fracasso. Veja algumas principais diferenças abaixo:

Mentalidade de Crescimento:

  • foco em aprendizado, não resultado;
  • boa performance requer trabalho duro;
  • trabalho duro é bom, ele me torna melhor;
  • esforço = bom sinal;
  • gosta e tira o melhor das deficiências;
  • capitaliza em cima dos erros, tira o melhor deles.

Mentalidade Fixa:

  • foco em notas e performance (que provam a inteligência);
  • boa performance vem naturalmente (e a má também), não importa o que você faça;
  • “se eu tenho que trabalhar duro, então eu não sou inteligente”;
  • esforço = mal sinal, vergonhoso;
  • esconde as deficiências;
  • esconde os erros.

Estimulados por esta teoria, Grant & Dweck, (2003) foram analisar o comportamento de estudo das pessoas baseado em suas mentalidades. Eles comprovaram que, enquanto aqueles com mentalidade fixa se preocupavam com notas e sofriam com perda de confiança, aqueles com mentalidade de crescimento se preocupavam mais em aprender o material e, assim, trabalhavam mais duro. Estes últimos acabavam tirando as melhores notas no final do período.

Basicamente, Grant e Dweck observaram diferenças claras na maneira como os alunos começavam e finalizavam o semestre. Um estudo relacionado foi feito por Mangels et al. (2006), em que viu que os alunos com mentalidade fixa prestavam mais atenção ao resultado de respostas certas e erradas, ou seja, em sua nota final; enquanto os alunos de mentalidade de crescimento prestavam mais atenção na resposta que era a correta, para que pudessem aprender. Isso também os levava a tirar as melhores notas em testes aplicados depois.

Mas, então, a mentalidade fixa nunca é boa? O único caso em que poderíamos dizer que a mentalidade fixa funciona é quando você tira uma boa nota ou performa bem sem fazer esforço para isso. No entanto, você também não aprende e cresce ao longo do processo, você se mantém estável.

Mas, se você tem que se esforçar para conquistar e realizar algo, quando você tem que se aperfeiçoar, é a mentalidade de crescimento que irá te ajudar mais. Isto se deve ao fato de a mentalidade de crescimento não afetar a motivação intrínseca como a mentalidade fixa; assim, ela permite o alcance de notas e performance melhores ao longo do tempo. Além disso, a mentalidade fixa gera mais questionamentos sobre se somos bons ou não e provoca maior perda de autoconfiança quando as coisas não saem bem como esperávamos.

Logo, você pode estar se perguntando: ‘Qual o grande problema nisso tudo? Por que não adotamos simplesmente uma mentalidade de crescimento e, assim, vamos nos desenvolvendo com o tempo?’ Não é tão fácil assim. Todos nós crescemos com a mentalidade fixa (por exemplo, quando crianças, somos ensinados que existem aqueles com aptidão para a matemática, artes, etc. e aquele que não). Mas, a boa notícia é que podemos APRENDER a ter uma mentalidade de crescimento!

Blackwell et al. (2007) comprovou em seu experimento que podemos treinar as pessoas (e nós mesmos) para termos uma mentalidade de crescimento ao invés de uma mentalidade fixa. Dessa forma, aumentamos nossa motivação intrínseca e nossa habilidade de aprendizagem. Por isso, você pode começar a ler mais sobre isso, pensar mais sobre isso e se forçar todo dia a aplicar esta mentalidade até que, de fato, comece a acreditar nela e se aperfeiçoe.

O que tiramos de todos esses pontos? Bom, é claro que queremos ter um trabalho que nos faça felizes e uma boa performance. Mas, não devemos perseguir coisas como salário ou notas altas. Ao invés disso, para sermos realmente felizes, devemos procurar trabalhos que nos permitam usar nossas ‘Forças de Assinatura’ e atingir o estado de ‘Flow’, adotando sempre uma ‘Mentalidade de Crescimento’ em nossas atividades. Devemos focar não apenas nos resultados que obtemos, mas principalmente no processo de aprender e nos aperfeiçoar em algo. A regra aqui é nunca se manter estável nas suas habilidades, mas sempre em evolução.

No próximo texto, falarei sobre as demais coisas que deveríamos buscar para sermos felizes. Até lá!

Ana Carolina Lafuente
Por Ana Carolina Lafuente

Carioca de nascença, paulista de coração, meio brasileira e meio espanhola. Ana Carolina é formada em Publicidade e Propaganda pela ESPM Rio. Apaixonada por comportamento humano, começou a se aproximar da área de Pessoas na empresa júnior da faculdade e não largou mais dela desde então. Descobriu seu amor pelo empreendedorismo e seguiu sua carreira ajudando principalmente startups ou empresas em crescimento exponencial. Atuou em Employer Branding na Stone Pagamentos, tempo em que se especializou no tema através de cursos na ESPM e Lemonade School. Recentemente, concluiu uma formação em Product Management pela PM3 e hoje toca a área de Employer Branding da Collact, plataforma de CRM e fidelização de clientes, detentora do app e diretório ‘Compre Local’ e investida da Stone Pagamentos. Além disso, Ana ama escrever, descobrir diferentes culturas, viajar, conhecer novos lugares, bares e restaurantes, cozinhar, fazer exercícios, yoga e não dispensa um bom café ou uma taça de vinho.