Como falei em meu último texto, o bem-estar está sendo cada vez mais estudado pela ciência, sobretudo pela psicologia positiva; gerando diversos insights sobre como podemos ser mais felizes.

Isso se torna especialmente importante já que a maioria de nós sente que não é feliz como gostaria ou poderia ser. Além disso, as marcas também encontram um contexto em que cada vez mais os consumidores, colaboradores, parceiros, sociedade, etc. buscam relações positivas ‘ganha-ganha’ e boas experiências; ou seja, buscam negócios que as façam bem e mais felizes.

Sendo assim, procurei estudar mais sobre o tema e resolvi compartilhar algumas dessas coisas que venho aprendendo, divididas em alguns artigos. Aqui, está a segunda parte do conteúdo, em que falarei mais das chamadas ‘Características Irritantes da Mente’.

Antes de entrarmos nelas, porém, vale nos perguntarmos: ‘Por que nossas expectativas são tão ruins?’ Tim Wilson, da University of Virginia, e Dan Gilbert, de Harvard, propuseram o conceito de ‘Miswanting‘ ou o ‘querer erroneamente’. Basicamente, ele representa o ato de estarmos errados sobre o que e o quanto iremos querer e gostar de algo no futuro.

Nosso cérebro nos dá uma ideia de que queremos algumas coisas (como ter um bom trabalho, ter um bom salário/boa saúde financeira, comprar coisas legais, ter o amor verdadeiro, ter o corpo perfeito, ter boas notas, etc), mas ele está errado. Ainda assim, isso acontece com tanta frequência justamente por conta dessas características irritantes da mente, que nos trazem diversos vieses. Vamos conhecer mais sobre as primeiras características, então?

CARACTERÍSTICAS IRRITANTES DA MENTE #1

Nossas mentes têm fortes intuições que, geralmente, estão totalmente erradas. Como vimos no texto passado, não iremos necessariamente ser mais felizes com um melhor salário, coisas legais e um esposo(a). Para comprovar este argumento, confira lá novamente alguns estudos científicos que demonstram isso e o nosso ato de ‘mispredict’ ou ‘prever erroneamente’.

Então, como podemos superar essa característica e não deixar que ela nos desvie? Simplesmente, duvide das suas previsões. Foque no que tem agora e não no que acha que pode ter no futuro ou no que acha que te fará mais feliz. Você apenas acha, eu apenas acho e todos apenas… acham. Isto não os torna verdades. Veremos melhor, em outro texto, como superar melhor esta característica.

Hoje, vamos nos focar mais na próxima, a de número #2.

CARACTERÍSTICAS IRRITANTES DA MENTE #2

Nossas mentes não pensam em termos de absolutos. Isto mesmo, nós pensamos em termos de relativos. Estamos, constantemente, julgando as coisas, as pessoas e nós mesmos relativamente a um ponto de referência.

‘Ponto de Referência’ pode ser entendido como um padrão saliente (mas geralmente irrelevante) contra o qual toda informação subsequente é comparada. Isto pode ser um problema quando falamos de julgamentos de felicidade. Será que conseguimos analisar o que é realmente importante a nós?

Um estudo interessante nesse tema é o do Medvec et al (1995), que traz a descoberta de que os atletas ganhadores das medalhas de prata são, curiosamente, menos felizes que os das medalhas de bronze. Por que? Tudo por conta dos pontos de referência! Os atletas em segundo lugar têm o primeiro lugar e a medalha de ouro como referências. Com isso, eles pensam não no que têm nas mãos, mas no que poderiam ter. Já os atletas de terceiro lugar, no entanto, comparam-se aos de quarto e quinto lugares e, assim, sentem-se orgulhosos de terem, ao menos, conquistado um espaço no pódio. Eles pensam no que poderiam não ter em mãos.

Se voltarmos aos exemplos do texto anterior, podemos perceber com mais clareza como vimos diversas coisas através dos nossos pontos de referência. Para começar, vamos pegar o caso de ‘um bom salário’. Sempre buscamos algo acima do que temos hoje, não? Segundo dois economistas, van Praag and Frijters (1999), os participantes de seu estudo desejavam sempre $0,40 centavos de dólar a mais para cada $1,00 que recebiam. Somado a isso, há o que também já vimos e que chamamos de ‘comparação social’. Talvez este seja o melhor exemplo para ilustrar como julgamos em termos de relativos, e não absolutos.

Clark e Oswald (1996) testaram a satisfação com o trabalho entre 5.000 trabalhadores britânicos e descobriram que esta satisfação diminuía quanto mais sua renda era menor referente à outra renda comparada. Clark, em 2003, também comprovou que trabalhadores desempregados tinham mais bem-estar quando as taxas de desemprego em sua localidade eram altas.

Isto, provavelmente, porque não se sentiam piores ao se compararem com as demais pessoas.

E quanto a ‘coisas incríveis’? Será que também analisamos o que temos e o que os outros têm em termos de pontos de referência? Estudos indicam que sim! Por exemplo, O´Guim e Schum (1997) viram que, quanto mais vemos TV, mais superestimamos a riqueza alheia e subestimamos a nossa própria. Inclusive, uma hora em frente à TV pode levar a um gasto adicional de $4,00 em coisas para casa.

No entanto, graças à revolução digital e ao consumo excessivo de conteúdos de mídia, buscar o ‘corpo perfeito’ talvez seja um dos piores casos em que nos subestimamos por conta dos pontos de referência. Kendrick et al (1993) viu que as mulheres avaliam pior os seus próprios corpos depois de olharem fotos de modelos. Além disso, homens também diminuíam sua avaliação sobre a atratividade de suas companheiras depois que eram expostos a fotos de modelos.

Nossa geração é cada vez mais desafiada pelos pontos de referência que recebemos diariamente da TV, das revistas e, principalmente, das redes sociais. Uma prova disso é o experimento de Vogel et al (2014), que demonstrou a diminuição da auto-estima das pessoas à medida em que se aumenta o uso do Facebook.

Com base em todos esses estudos, será que temos que aceitar o fato e nos conformarmos em sermos menos felizes ao nos compararmos aos demais? NÃO! Não podemos mudar esta característica, é verdade, mas podemos gerenciá-la. Como? Fazendo comparações sociais razoáveis. Isso que dizer que, uma vez que vamos usar pontos de referência de uma forma ou outra, que, pelo menos, sejam coisas próximas e factíveis a nós. Temos que ter bons filtros para escolher os nossos pontos de referência.

Lembra que vimos, algumas vezes, o estudo da Sonja Lyubomirsky, no qual ela defende que 40% da nossa felicidade depende das nossas ações e pensamentos, nossas intenções e hábitos? Pois bem, uma vez que reconhecemos essa característica intrínseca em nossa mente, podemos, ativamente, dominar nossos pensamentos e intenções para construir nossas ações e hábitos. Poucas coisas são realmente determinadas nesta vida, a grande maioria delas pode ser alterada por nossa vontade e comportamento!

Por isso, não subestime sua capacidade de modificar seus pensamentos e pontos de referência. Tendo controle da sua mente, poderá assumir também o controle dos seus atos e, assim, do seu bem-estar. Jamais deixe sua vida ou sua carreira nas mãos de outros. Seja dono(a) delas e comece, agora mesmo, a trabalhar em si mesmo(a) na direção da sua felicidade! Nos próximos textos, falarei das outras duas características e continuarei te ajudando a superá-las e a focar no que, de fato, importa a nós. Até lá!

Ana Carolina Lafuente
Por Ana Carolina Lafuente

Carioca de nascença, paulista de coração, meio brasileira e meio espanhola. Ana Carolina é formada em Publicidade e Propaganda pela ESPM Rio. Apaixonada por comportamento humano, começou a se aproximar da área de Pessoas na empresa júnior da faculdade e não largou mais dela desde então. Descobriu seu amor pelo empreendedorismo e seguiu sua carreira ajudando principalmente startups ou empresas em crescimento exponencial. Atuou em Employer Branding na Stone Pagamentos, tempo em que se especializou no tema através de cursos na ESPM e Lemonade School. Recentemente, concluiu uma formação em Product Management pela PM3 e hoje toca a área de Employer Branding da Collact, plataforma de CRM e fidelização de clientes, detentora do app e diretório ‘Compre Local’ e investida da Stone Pagamentos. Além disso, Ana ama escrever, descobrir diferentes culturas, viajar, conhecer novos lugares, bares e restaurantes, cozinhar, fazer exercícios, yoga e não dispensa um bom café ou uma taça de vinho.