Sim, acredite ou não, o nosso bem-estar é algo cientificamente estudado, sobretudo pela psicologia. Vários testes tem sido feitos, em diversos setores da sociedade, e nos trazem muitos insights sobre como podemos ser mais felizes. Quem aqui acredita não precisar destes insights? Acho que ninguém, não? A verdade é que a maioria de nós não é feliz como gostaria ou poderia ser.

Como grande apaixonada pelo tema de ‘Marca Empregadora’, me sinto naturalmente atraída por assuntos como psicologia organizacional e comportamento humano. Dentro deste universo, tive contato recentemente com a tal da ‘Psicologia Positiva’ também. Afinal, o que as marcas procuram fazer com seus clientes que não deixá-los mais felizes? De forma semelhante, empresas, enquanto empregadoras, também objetivam fazer os seus colaboradores mais realizados.

É  por  isso  que  decidi fazer um curso online sobre o tema, produzido pela Universidade de Yale, e decidi construir alguns textos aqui para compartilhar os pontos mais interessantes desta minha descoberta. Bora começar esta jornada?

EQUÍVOCOS INICIAIS SOBRE A NOÇÃO DE FELICIDADE

Antes de entrarmos exatamente em técnicas para ‘sermos mais felizes’, é importante entendermos alguns equívocos que estruturalmente criamos e que nos afastam deste objetivo.

Um deles é o chamado ‘G.I Joe Fallacy’. Esta falácia traz a errônea ideia de que saber já é metade do caminho. Não é porque sabemos o que fazer que, de fato, fazemos, não? Por exemplo, todos sabemos que devemos comer mais legumes, evitar doces e bebidas alcoólicas e fazer exercícios diariamente. Mas, todos aqui realmente fazem isso?

Apenas ter um conhecimento não faz, automaticamente, com que mudemos nossa forma de pensar e agir. Para começo de conversa, nem é tão fácil perceber os nossos padrões mentais como imaginamos. Pense nas ilusões óticas, apenas para ilustrar o que quero dizer. Mesmo pensando racionalmente, nem sempre conseguimos forçar nossos olhos a verem as coisas de maneira diferente. Duvida? Observe a imagem abaixo:

EQUÍVOCOS INICIAIS SOBRE A NOÇÃO DE FELICIDADE

Mesmo que eu te dissesse que os dois círculos laranjas têm exatamente o mesmo tamanho, você consegue treinar os seus olhos para perceber isso? Honestamente, eu não consigo. Continuo vendo o círculo laranja da direita bem maior que o da esquerda, por pura ilusão de ótica que os demais círculos azuis criam.

Com a felicidade não é diferente. Se queremos mudar o nosso comportamento, precisamos mudar hábitos, não só aprender o que temos que fazer. A ideia de compartilharmos conhecimentos aqui é justamente, como comunidade, pormos estes hábitos em ação e nos comprometermos com eles. Mas, para isso, precisamos estar conscientes dos nossos equívocos.

Há várias coisas que acreditamos nos fazerem felizes, como: ter um bom trabalho, ter um bom salário/boa saúde financeira, comprar coisas legais, ter o amor verdadeiro, ter o corpo perfeito, ter boas notas, etc. Mas, é cientificamente comprovado que estas coisas não nos farão, exatamente, mais felizes. Portanto, será que estamos sendo inteligentes ao investirmos tanto do nosso tempo e esforço nelas? Provavelmente, não.

Então, por que continuamos perseguindo esses objetivos? Simplesmente porque, além de concepções erradas sobre a felicidade, temos um erro natural de previsão; ou seja, geralmente prevemos erroneamente nossas reações e sentimentos frente as coisas. Acreditamos que seremos mais felizes se conseguirmos aquelas coisas, mas não é o que acontece na prática, segundo diversos estudos científicos.

Eles mostram que aqueles itens, na verdade, promovem pouca variância em nossos níveis de felicidade ou o fazem apenas momentaneamente. Isso pode ser encarado como alegria, mas o que queremos, de fato, é algo mais sustentável. Queremos ser felizes e não apenas momentaneamente alegres, não?  Aqui,  aproveito  já  para  indicar  novamente o  livro “The How of Happiness: A New Approach to Getting the Life You Want”, da Sonja L yubomirsky. Ela  disseca cientificamente como é  composta e como podemos atingir a felicidade.

Outro ponto de vista que pode corroborar o quanto aquelas questões não geram tanta felicidade assim é que, hoje, desejamos coisas que não impactavam  a  felicidade  das  famílias   em  gerações  passadas.  Segundo David Myers, em seu livro ‘The American Paradox’, crescemos hoje com muito mais abundância que nossos avós, mas com razoável menos felicidade e maior risco de depressão e de patologias sociais. Por que será?

Para começar, ganhamos mais que nossos avós, mas dinheiro não nos faz tão  mais  felizes  como  pensamos.  Existe sim uma correlação entre maior renda e maior felicidade, mas Daniel Kahneman e Angus Deaton viram, em experimentos, que geralmente o crescimento para por volta de $75.000. Sobre bens materiais, também os temos em maior quantidade hoje do que antigamente. No entanto, quanto mais pensamos neles e os desejamos, mais infelizes ficamos porque sempre queremos mais. Quanto mais materialismo, menos é a satisfação com a vida e menor é a felicidade.

E o amor verdadeiro? Parece que essa busca se tornou mais livre com o passar das décadas, não? Ainda assim, pesquisas trazem a ideia de que casais são mais felizes nos primeiros dois anos de recém-casados (‘Efeito Lua-de-Mel’), mas, depois, os níveis de felicidade se equiparam aos dos não-casados. Corpo perfeito? Também temos investido mais nele agora do que antes, não? Mas, ao contrário, pesquisadores descobriram que a perda de peso, na verdade, traz mais sentimentos de depressão do que de f elicidade. Além disso, eles são fortalecidos pelo uso de cosméticos e cirurgias.

Por fim, a nossa geração é a primeira que vive o estranho fenômeno das redes sociais. Elas não nos dão acuracidade nas informações sobre as pessoas e suas vidas e, além disso, ficamos expostos à publicidade e a outros conteúdos que reforçam aqueles padrões de bom trabalho, amor verdadeiro, corpo perfeito, etc. Essa comparação social só confunde ainda mais nossa cabeça e nos afasta da felicidade.

Todas essas questões acima vão de encontro à teoria defendida por Lyubomirsky de que apenas 10% da nossa felicidade é determinada pelo que acontece conosco. Segundo ela, 50% da nossa felicidade é geneticamente determinada e 40% depende das nossas ações e pensamentos, nossas intenções e hábitos. É apenas neste último grupo em que podemos agir, é sobre ele que temos controle para influenciar a nossa felicidade.

O QUE DETERMINA A FELICIDADE?

  • GENÉTICA 40% 40%
  • CIRCUNSTÂNCIAS 10% 10%
  • ATIVIDADES VOLUNTÁRIAS 50% 50%

Portanto, neste e nos próximos textos, focarei justamente em como podemos trabalhar arduamente nossa mente e nossos comportamentos para sermos mais felizes. Isso passa também por aprendermos onde melhor focar nossa energia para, de fato, alcançarmos maiores níveis de  felicidade. Temos que escolher os objetivos certos para fugir do que a professora de Yale chama de ‘Características Irritantes da Mente’. Nossa mente tem fortes intuições que se mostram erradas e nos extraviam da trajetória correta rumo à felicidade. Falarei melhor delas nos artigos futuros.

Se ficou curioso(a) para entender melhor essas características, os impactos que trazem em nossas vidas, o que deveríamos estar buscando, de fato, e principais técnicas e maneiras de desenvolver seus pensamentos e ações em prol da felicidade, não deixe de conferir os próximos textos!

Ana Carolina Lafuente
Por Ana Carolina Lafuente

Carioca de nascença, paulista de coração, meio brasileira e meio espanhola. Ana Carolina é formada em Publicidade e Propaganda pela ESPM Rio. Apaixonada por comportamento humano, começou a se aproximar da área de Pessoas na empresa júnior da faculdade e não largou mais dela desde então. Descobriu seu amor pelo empreendedorismo e seguiu sua carreira ajudando principalmente startups ou empresas em crescimento exponencial. Atuou em Employer Branding na Stone Pagamentos, tempo em que se especializou no tema através de cursos na ESPM e Lemonade School. Recentemente, concluiu uma formação em Product Management pela PM3 e hoje toca a área de Employer Branding da Collact, plataforma de CRM e fidelização de clientes, detentora do app e diretório ‘Compre Local’ e investida da Stone Pagamentos. Além disso, Ana ama escrever, descobrir diferentes culturas, viajar, conhecer novos lugares, bares e restaurantes, cozinhar, fazer exercícios, yoga e não dispensa um bom café ou uma taça de vinho.