Em uma live com a turma do Workplace by Facebook, ao longo da Maratona de Employer Branding, organizada pelo time do Employer Branding Brasil entre junho e julho deste ano, me deparei com estas 9 tendências para o EX (Employee Experience) que acredito valer muito a pena compartilhar.

Inegavelmente, o ano de 2020 ressignificou muita coisa no mercado de trabalho. Certamente, os acontecimentos inesperados trazidos pela pandemia implicaram em uma série de novas tendências ou reforçaram algumas outras que já estavam em curso. É sobre elas que falo no texto de hoje. Afinal, assim como a Cultura, a experiência do colaborador também deve se atualizar e se manter viva e alinhada com o contexto social e da empresa.

Aproveitando este final do ano, em que muitas empresas fazem uma retrospectiva dos resultados e aprendizados, e se planejam para 2021, vale considerar estas próximas tendências nas suas estratégias de Employer Branding!

1. Confiança como principal atributo de uma marca empregadora

Segundo uma pesquisa da Edelman no ano de 2020, 76% das pessoas confiam mais na empresa onde trabalham do que no discurso de outras instituições. Neste cenário, é crucial que a empresa se preocupe, então, com a curadoria do seu conteúdo.

2. O papel dos líderes mudou: transparência, engajamento e visibilidade se tornam fatores mais importantes

Os líderes também são responsáveis pela comunicação dos valores da empresa e por servirem ao cliente. Assim, liderar nos dias desafiadores de hoje demanda gerar valor a longo-prazo a bem mais públicos do que apenas os acionistas. Os líderes devem ser acessíveis e estarem conectados às pessoas que trabalham com eles.

Segundo uma pesquisa da Brunswick, um dos fatores mais desejados nos líderes é justamente a comunicação direta, além do reconhecimento e respeito. Por isto, é tão importante a realização de conversas e  lives frequentemente, para falar da estratégia da empresa, responder perguntas e reforçar propósito e cultura da organização.

O importante aqui é se conectar de forma autêntica com os funcionários para alcançar melhores resultados. Para isto, é essencial que os líderes sejam:

  • Eles mesmos;
  • Estratégicos;
  • Relevantes;
  • Consistentes;
  • Empáticos.

As pessoas querem saber quem são os líderes como pessoas, querem poder enxergar suas fragilidades e vulnerabilidades para que possam se conectar e identificar com eles.

3. Estamos vivendo a Era das Narrativas

Vivemos hoje uma mudança bem importante no que tange ao comportamento de consumo de conteúdo. Hoje, segundo pesquisas, mais de 70% das pessoas consomem conteúdos em movimento, ou seja, pelo mobile. Apenas 30% dedicam toda a sua atenção ao conteúdo que estão lendo no momento.

Outros dados mostram que as pessoas scrollam 100m de conteúdo em suas redes sociais por dia. Isto antes mesmo do Covid! Neste cenário, ao pensar as estratégias de comunicação, as empresas devem se questionar: como pausar esta rolagem e fazer com que as pessoas se interessem pelo meu conteúdo?

Há algumas formas de fazer isso. Uma mensagem pode ser atraente ao causar um impacto visual (nosso cérebro processa mais rápido imagens do que palavras) ou ao promover interações. Além disso, as pessoas valorizam conteúdos que sejam bem-humorados ou que envolvam gifs e memes. No entanto, não podemos deixar de ser estratégicos! Para isto:

  • Defina seus objetivos de negócio e de comunicação;
  • Desenvolva uma estratégia de conteúdo e verifique se ela está alinhada ao calendário da sua organização;
  • Use as suas pessoas, o seu negócio e a sua indústria como categorias de conteúdo; ou seja, envolva estes temas nas suas mensagens.

Além disso, não esqueça que os líderes da sua empresa são um público à parte do restante. Enquanto é importante gerar comunicações que inspirem os seus colaboradores sobre a empresa, seu propósito, impacto social e cultura, trazendo mais as perspectivas e histórias das pessoas e dos bastidores, também é válido informar melhor os seus líderes sobre a operação e a visão dos clientes.

4. Cuidado com as pessoas é fundamental

Aqui, é possível utilizar uma abordagem dos 3 Cs que motivam as pessoas e compõe um contrato psicológico entre elas e as empresas. São eles: Cuidado, Cultura e Comunidade. Vamos nos aprofundar mais no Cuidado e, nos próximos tópicos, falaremos sobre Cultura e Comunidade.

O Cuidado envolve os seguintes pontos:

  • Reconhecimento: gere reforço positivo publicamente, incentive o reconhecimento social e reforce os valores da empresa. Elogie e reconheça seus funcionários e os times por suas vitórias individuais e em grupo, mesmo as pequenas coisas!
  • Check-ins Gerenciais: faça check-ins individuais através de 1:1s. Além disso, é importante que o RH entenda dos requisitos do trabalho dos líderes, alinhe metas e progressos e foque sempre no impacto gerado;
  • Engajamento da equipe: mantenha contato com a equipe nos momentos de alto e baixo impacto, fazendo check-ins pessoais e, quem sabe até, promovendo desafios divertidos semanalmente;
  • Inclusão e Pertencimento: crie uma página para compartilhar os seus programas e recursos voltados para a inclusão ou até mesmo realize sessões estratégicas de perguntas e respostas sobre o assunto.

5. Cultura é a única vantagem competitiva sustentável

Como falamos antes, cresce a necessidade de posicionar os líderes como indivíduos imperfeitos, em que sua autenticidade, caráter e vulnerabilidade são maiores que sua perfeição. Neste sentido, é preciso tratar as equipes como elas querem ser tratadas, ou seja, com uma comunicação transparente e narrativas que deixem claros os valores e propósito do negócio.

Além disso, é importante reforçar os valores sempre que possível, seja nos check-ins de desempenho ou em integrações e onboarding, além de avaliar frequentemente os sentimentos dos funcionários, através de pulsos e pesquisas de microclima.

6. Sua empresa é, antes de tudo, uma comunidade

Construa este sentido

É importante que você ofereça a seus funcionários um ambiente de bem-estar em três sentidos: físico, saúde mental e resiliência para situações adversas. Você pode fazer eventos, sessões e lives para discutir o tema.

7. Trabalho remoto não é isolado. Fortaleça o sentido de pertencimento

As pessoas estão muito preocupadas agora; por isto, mais do que nunca querem se sentir pertencentes a  algum lugar ou grupo. Assim, procure dar voz a todos, oferecer segurança psicológica e criar, de fato, comunidades.

E como estabelecer uma relação no desafio remoto?

  • Informe seus funcionários com periodicidade;
  • Demonstre cuidado a eles no dia a dia;
  • Entenda o sentimento deles (por pulsos);
  • Planeje e responda, ou seja, tenha uma comunicação planejada e prepare-se para a reação;
  • Permita e estimule a colaboração entre times.

8. Aprendizado será cada vez mais via comunidades

Segundo o RH Digital, o aprendizado será cada vez mais dividido da seguinte forma:

  • 60% aprendizado no trabalho;
  • 20% aprendizado entre colegas;
  • 10% aprendizado de forma estruturada;
  • 10% aprendizado em comunidade.

Para estimular o aprendizado em grupo, é possível compartilhar entre as pessoas as descobertas das experiências de trabalho diariamente. Já para incentivar o microaprendizado, uma opção é criar pequenos módulos estruturados de conteúdo sob demanda, sendo mais fácil também avaliar sua eficiência. Já para fomentar uma cultura compartilhada, nada melhor do que trocar conhecimentos em encontros de grupos, 1:1s, etc.

9. Experiência do Colaborador desde o Onboarding

Antes de mais nada, é preciso encontrar o candidato e recrutá-lo. Uma vez selecionado e contratado, é importante integrá-lo no Onboarding. Mas, antes mesmo dele acontecer, alguns dias antes, é possível já construir uma comunidade/grupo com os novos entrantes e passar a eles infos importantes, tirar dúvidas ou até já promover alguns encontros com líderes.

No Onboarding, é essencial criar conexão com os grupos, apresentar os novos membros às pessoas da empresa e compartilhar treinamentos. Ao longo da vida dele como colaborador, siga investindo em treinamento e desenvolvimento e expanda a experiência deles com recompensas e reconhecimento. Depois, é preciso reforçar cultura e conexão por meio da gestão do seu desempenho, engajamento e sentimentos dos funcionários. Em seguida, é hora de mantê-los contigo através da gestão destes talentos e investimento em seu bem-estar e segurança.

De forma geral, há várias estratégias e ferramentas que podem ser utilizadas para potencializar a experiência do colaborador. O mais importante aqui é, portanto, entender quem é sua empresa e quem é seu público interno, além de identificar os erros, acertos e aprendizados tirados em 2020. Com isso, poderá definir seu objetivo de negócio e como conquistar isto em 2021 através de estratégias de comunicação e experiência internas que sejam realmente autênticas, estratégicas, relevantes, consistentes e empáticas. Entenda quem sua empresa quer ser nesta futura narrativa e o que seus funcionários querem também que ela seja. Assim, poderão construir esta história juntos no próximo ano!

Ana Carolina Lafuente
Por Ana Carolina Lafuente

Carioca de nascença, paulista de coração, meio brasileira e meio espanhola. Ana Carolina é formada em Publicidade e Propaganda pela ESPM Rio. Apaixonada por comportamento humano, começou a se aproximar da área de Pessoas na empresa júnior da faculdade e não largou mais dela desde então. Descobriu seu amor pelo empreendedorismo e seguiu sua carreira ajudando principalmente startups ou empresas em crescimento exponencial. Atuou em Employer Branding na Stone Pagamentos, tempo em que se especializou no tema através de cursos na ESPM e Lemonade School. Recentemente, concluiu uma formação em Product Management pela PM3 e hoje toca a área de Employer Branding da Collact, plataforma de CRM e fidelização de clientes, detentora do app e diretório ‘Compre Local’ e investida da Stone Pagamentos. Além disso, Ana ama escrever, descobrir diferentes culturas, viajar, conhecer novos lugares, bares e restaurantes, cozinhar, fazer exercícios, yoga e não dispensa um bom café ou uma taça de vinho.