De uns anos para cá, muito se tem estudado, realizado e falado sobre a ‘Marca Empregadora’ das empresas, ou seja, a reputação que elas têm enquanto experiência de trabalho e valor gerado aos seus colaboradores atuais, passados, potenciais e demais stakeholders (parceiros, fornecedores, investidores, sociedade em geral, etc.).

Isso se deve muito ao fato de estarmos presenciando, de forma cada vez mais emergente também, o empoderamento dos candidatos, que, potencializados pela economia das informações, digital e compartilhada que vivemos, podem ter mais insumos para analisar opções de trabalho e tomar, de forma consciente e ativa, suas decisões de carreira. Mas todo esse movimento não acontece apenas no mercado de trabalho, e sim em todos os âmbitos sociais.

Assim como o Philip Kotler, grande referência do Marketing, pode observar a transição das marcas para se tornarem mais focadas nos valores dos consumidores (Marketing 3.0) e, em seguida, na experiência digital a eles (Marketing 4.0), o mercado de trabalho e a sociedade no geral sentem que as relações (pessoais, profissionais e comerciais) estão sendo cada vez mais impactadas, e até definidas, por aspectos culturais (identificação com os valores) e digitais.

O que aconteceu foi uma total transformação e redivisão de poderes: instituições, marcas e grandes emissores foram ‘forçados’ a dividir sua voz e poder com os cidadãos, consumidores, receptores e, claro, candidatos e colaboradores, que já não mais aceitam passivamente o que lhes é dito ou oferecido. Pelo contrário, eles descobriram que podem ditar o que deve ser produzido, comunicado e, até, oferecido como experiência de trabalho. Neste contexto, tudo e todos comunicam. Tudo e todos têm, de alguma forma, uma marca e reputação pela qual zelar.

É assim que cresceu o movimento de ´Employer Branding´ no mundo e no Brasil, ou seja, as empresas compreenderam que precisam fazer esforços para entender, construir e gerenciar suas ‘marcas empregadoras’ para se tornarem (e se manterem) a opção de carreira dos talentos. Mas e os candidatos e profissionais? Eles também não têm o que podemos chamar de ´marca empregada´? Eles também não têm uma marca pessoal para comunicar o valor que podem oferecer às empresas enquanto profissionais?

Sim, eles têm! Nós todos temos. Com isso, podemos nos perguntar: como estamos gerenciando nossa marca pessoal? Se voltarmos ao Marketing 3.0 e 4.0 citados acima, como estamos também nós mostrando nossos valores e nos posicionando no meio digital? É neste ponto que podemos seguir para o foco deste artigo, que é: como entender, construir e gerenciar nossa ‘marca empregada’ no LinkedIn?

Vamos ver cinco (5) principais passos que podemos seguir abaixo:

PASSO 1: QUEM É VOCÊ E PARA ONDE ESTÁ INDO?

Antes de tudo, pense em você, seus valores e objetivos. Isso será crucial para, depois, comparar estes pontos com os das empresas que estiver analisando para sua trajetória profissional. Além disso, também é importante entender que tipo de ambiente te fará mais feliz. Para isso, pode se fazer algumas perguntas como:

  • Sou mais introvertido ou extrovertido?
  • Sou mais metódico ou ‘free style’?
  • Sou mais imaginativo ou pragmático?
  • Sou mais racional ou emocional?
  • Etc.

Em seguida, pode também fazer uma SWOT de você mesmo(a), analisando as seguintes questões:

  • Quais as minhas principais forças? Pode pensar consigo mesmo(a) ou pedir para amigos e colegas falarem o que mais admiram em você. Se tiver dificuldades nisso ou quiser se aprofundar, pode utilizar este reconhecido teste da Via Character.
  • Quais as minhas principais fraquezas? A estratégia aqui é também pensar consigo mesmo(a) ou pedir para amigos e colegas falarem no que poderia melhorar. Se tiver dificuldades também, pode descobrir seus sabotadores aqui (clicando no segundo círculo amarelo, mais à direita). Além disso, se você é um dos vários profissionais que deixou seu desafio profissional devido ao COVID-19, ou mesmo quer investir mais do tempo otimizado na quarentena para se desenvolver, pode utilizar seus pontos de melhoria como bússolas para cursos online.
  • Quais as oportunidades do mercado, no presente e futuro? Pode procurar pesquisas, estudos e projeções lançados publicamente para chegar as suas conclusões.
  • Quais as ameaças do mercado, no presente e futuro? Também busque por análises de mercado.

No fim do exercício, questione-se: Como posso potencializar meus pontos fortes? Como posso amortizar meus pontos fracos? Como posso aproveitar as oportunidades? Como posso reduzir e reverter as ameaças?

PASSO 2: COMO ESTÁ O SEU LINKEDIN?

Agora que sabe quem é e para onde quer ir, trabalhe melhor o seu perfil no LinkedIn. Para isso, seguem algumas dicas:

A. Foto de Capa
É interessante que ela seja uma imagem em alta resolução e relacionada à sua área de atuação (entenda como melhor buscar imagens aqui).

B. Foto de Perfil
O ideal é que seja uma foto mais séria e fiel a sua realidade. Importante que seja também nítida, com boa luz, fundo branco e relacionada à área que busca. Uma dica aqui é usar a ferramenta Snappr para analisar a qualidade da sua foto de perfil.

C. Nome de Perfil
Seu nome e apenas um sobrenome são o suficiente. Evite apelidos ou vários sobrenomes.

D. Título
É o que vem como uma descrição abaixo do seu nome. Para quem faz uma busca de pessoas, consegue ver estas duas informações logo de cara. Um bom exemplo de título é aquele mais instigante. Para construí-lo, pense em coisas como:

Quais problemas você resolve? / O que te faz ser único(a)? / Que projetos bacanas você já fez?

Mas seja sucinto(a)!

E. Resumo Profissional
É o “Sobre” que aparece no seu perfil. É legal que ele contenha importantes palavras-chave para você, como áreas e subáreas em que atuou, certificações e atividades importantes. Também há algumas perguntas que pode se fazer como:

Em que sou formado(a)? Em que já atuei na minha vida? O que eu construí de significante?

F. Experiências Profissionais
Elas devem vir com bullet points nos quais você consiga resumir quais eram e são as macro ações da sua rotina em cada experiência. Nelas, busque destacar quais foram/são os seus principais resultados obtidos nos projetos, indicadores pelos quais era/é responsável e a quem reportava ou reporta atualmente, se isso for uma informação relevante.

G. Competências
Você pode adicioná-las ou recebê-las de colegas da sua rede. Aqui, duas dicas são: 1. liste todas as suas principais competências (hard e soft skills) e adicione lá; 2. sempre analise e recicle as competências pelas quais as pessoas te recomendaram (nada de manter coisas que você não tem, viu?)

H. Destaques
Pode destacar publicações passadas suas que tangibilizem melhor o que você faz/quer fazer, seus valores e o que pode oferecer como um bom profissional.

I. Conquistas
Aqui é o espaço ideal para adicionar suas principais publicações, cursos, projetos, reconhecimentos e prêmios, idiomas e organizações sociais em que atuou.

Com um perfil campeão, podemos seguir para o próximo passo!

PASSO 3: COMO ESTÁ O SEU NETWORKING?

É super importante criarmos networking no LinkedIn, mas não é ideal sair adicionando qualquer pessoa. Você pode seguir o seguinte caminho:

  1. Adicionar profissionais com os quais já trabalhou ou fez faculdade;
  2. Adicionar pessoas que conheceu em eventos e cursos;
  3. Adicionar profissionais de RH de empresas que admira;
  4. Adicionar profissionais da sua área de atuação (atual ou que busca no futuro) dessas empresas que admira.
  5. Com as pessoas aceitando seu convite, é hora de fazer rapport, ou seja, gerar conexão e identificação com elas ao comentar em suas publicações ou compartilhá-las, trazendo informações a mais, somando a elas. ATENÇÃO: não se meta em discussões calorosas ou debates políticos. Seja sempre positivo(a) e agregue aos outros.

PASSO 4: COMO ESTÃO SUAS PUBLICAÇÕES E INTERAÇÕES?

Agora que você já entendeu e construiu sua ‘marca empregada’ ou ‘marca pessoal’, é hora de gerenciá-la ao longo do tempo! Para isso, é fundamental que você construa conteúdos e publicações. Para isso, pode seguir as dicas do Rodrigo Garçone.

O importante é criar relevância ao seu perfil, uma vez que ele esteja completo e alinhado aos seus objetivos. Para isso, há três caminhos principais:

  1. Crie publicações autorais e artigos, através do qual exponha suas ideias e opiniões. Aqui, é interessante adicionar referências e fontes técnicas que corroborem seus argumentos, para trazer mais embasamento e credibilidade;
  2. Siga portais de informação de referência e compartilhe conteúdos interessantes, mas sempre se posicionando sobre o assunto. É sua chance de mostrar como pensa;
  3. Busque grupos de discussão relacionados a sua área de atuação e participe mais intensamente dos debates criados.

PASSO 5: COMO CONSOLIDAR SUA MARCA PESSOAL?

Aqui, vamos fazer um apanhado de dicas finais, que servem também como um guia para que você mantenha a gestão e reciclagem da sua marca pessoal com o tempo:

  1. Mapeie seu público-alvo atual e se conecte a ele;
  2. Comunique-se. Troque informações com as pessoas da sua rede, publique e compartilhe conteúdos que exponham suas opiniões e posicionamentos;
  3. Tenha regularidade. Você precisa ser frequente e consistente nos pontos anteriores;
  4. Seja autêntico. Não crie um personagem. Quanto mais honesto e verdadeiro for, mais chances terá de se conectar a pessoas e empresas alinhadas aos seus valores;
  5. Construa conexões de qualidade. Não adicione e aceite qualquer pessoa. Tenha foco e seja inteligente para construir relacionamentos alinhados aos seus objetivos profissionais.

Lembre-se: se você não sabe quem é e para onde quer ir pode acabar indo para qualquer lugar e se distanciando do seu propósito, sonhos e metas. No fundo, carreira e vida pessoal são a mesma coisa e formam, juntas, grande parte das suas horas, relações e experiências. Por isso, invista tempo, esforço e intelecto para construir uma jornada profissional (e ‘marca empregada’) de significado.

Ana Carolina Lafuente
Por Ana Carolina Lafuente

Carioca de nascença, paulista de coração, meio brasileira e meio espanhola. Ana Carolina é formada em Publicidade e Propaganda pela ESPM Rio. Apaixonada por comportamento humano, começou a se aproximar da área de Pessoas na empresa júnior da faculdade e não largou mais dela desde então. Descobriu seu amor pelo empreendedorismo e seguiu sua carreira ajudando principalmente startups ou empresas em crescimento exponencial. Atuou em Employer Branding na Stone Pagamentos, tempo em que se especializou no tema através de cursos na ESPM e Lemonade School. Recentemente, concluiu uma formação em Product Management pela PM3 e hoje toca a área de Employer Branding da Collact, plataforma de CRM e fidelização de clientes, detentora do app e diretório ‘Compre Local’ e investida da Stone Pagamentos. Além disso, Ana ama escrever, descobrir diferentes culturas, viajar, conhecer novos lugares, bares e restaurantes, cozinhar, fazer exercícios, yoga e não dispensa um bom café ou uma taça de vinho.