Ideias para trabalhar a autogestão de seus sentimentos e sabotadores

Neste texto, comecei a falar um pouco sobre a importância da Inteligência Emocional (IE) e Coeficiente Emocional (QE) para nos ajudar a superar os desafios dos tempos atuais. Como vimos, a IE é formada por 4 pilares e é através destes quatro passos que podemos evoluir em nossa jornada para desenvolver melhor nossa inteligência emocional. São eles: Autoconhecimento: como eu me vejo / Autogestão: como lido comigo / Empatia: o que vejo no outro / Gestão de Relacionamentos: como lido com os outros.

Em meu último artigo, apresentei mais detalhes do primeiro passo, Autoconhecimento, e como podemos trabalhá-lo. Neste texto, quero aprofundar mais, então, no segundo passo: a Autogestão das nossas emoções, impulsos e sabotadores.

A AUTOGESTÃO 

Para sabermos como começar a gerenciar essas questões, precisamos primeiro entendê-las. Afinal, como já dizia o grande administrador Peter Drucker, “O que pode ser medido, pode ser melhorado”. Logo, não podemos aperfeiçoar o que não podemos medir, não é? Por isso, vamos começar diagnosticando o que sentimos:

#1 Pense consigo mesmo(a) agora um instante: ‘Quando foi a última vez em que não soube gerir bem as suas emoções (âmbito pessoal ou profissional)?’, ‘O que aconteceu?’, ‘Como reagiu?’ 

#2 Em seguida, vamos entender mais alguns aspectos: ‘Quais são suas dores internas?’ Elas podem ser relacionadas à ansiedade, autoconfiança e até mesmo ao primeiro pilar de autoconhecimento, etc. Também se questione: ‘Quais são suas dores externas?’ Estas podem ser ligadas a uma alta expectativa dos outros, uma alta pressão no trabalho, uma relação difícil dentro de casa, etc.

Nesse momento, é importante compreender quais obstáculos internos e externos estão te impedindo de gerir melhor suas emoções, além de perceber talvez o impacto de outras pessoas em sua performance. 

#3 Por fim, é hora de descobrir quem são seus inimigos internos ou os seus sabotadores. Entenda mais sobre eles abaixo.

O Crítico e os demais 9 Sabotadores Cúmplices 

Um dos grandes livros sobre o assunto é o ‘Inteligência Positiva’, da Shirzad Chamine. Nele, o autor, que é CEO de uma das maiores organizações de treinamento de coaches do mundo, afirma que apenas 20% das equipes e dos indivíduos alcançam seu verdadeiro potencial e defende o processo de sabotagem da mente humana como o motivador principal da maioria dos fracassos.

Para ele, a mente humana é a melhor aliada de cada indivíduo e, paradoxalmente, também a pior inimiga. Explicando melhor, os sabotadores são um conjunto de padrões mentais automáticos e habituais. Além disso, eles são universais, ou seja, todos nós os temos! Por isso, não devemos nos questionar SE eles existem em nós, mas, sim, QUAIS deles e O QUÃO FORTES estão em nós. 

O engraçado é que os sabotadores começam, na verdade, como guardiões, que nos ajudam a vencer ameaças reais e imaginárias quando somos crianças. No entanto, quando chegamos à idade adulta, esses Sabotadores não são mais necessários, mas já se tornaram habitantes invisíveis da nossa mente. Eles são as lentes pelas quais vemos e reagimos ao mundo. Mas nem sempre nos damos conta deles. 

No total, existem dez Sabotadores. O Crítico é o principal Sabotador e que afeta todos nós em algum nível. Ele sempre se junta a pelo menos um ou dois dos nove Sabotadores “cúmplices” para executar sua sabotagem. São eles: Insistente, Prestativo, Hipervigilante, Inquieto, Controlador, Esquivo, Hiper-Realizador, Vítima e Hiper-Racional. 

O opositor dos Sabotadores é o Sábio. Quando sua mente age como sua melhor amiga é porque o Sábio assumiu o controle. A grande arma que temos em nossas mãos é que os Sabotadores e o Sábio são alimentados por regiões diferentes do cérebro e ambos podem ser enfraquecidos ou fortalecidos, dependendo de que região ativamos. Portanto, sim, o poder sobre sua vida está em como você controla a sua mente!

Inteligência Positiva - Employer Branding

Como vimos, os nossos sabotadores internos estão sempre em atividade, mas é possível identificá-los e, assim, enfraquecê-los (priorizando o nosso Sábio). Para nos ajudar neste primeiro processo de identificação, a Companhia das Letras lançou, a partir do livro, um teste online gratuito, que nos fornece toda a devolutiva sobre os nossos maiores inimigos internos e ainda uma explicação detalhada de cada um deles.

Vale muito entender mais sobre! Por isso, se fizer sentido a você, pare de ler este texto um momento e vá lá fazer o teste (clicando do segundo círculo mais à direita) para descobrir os seus sabotadores. Mas, volte aqui depois para ver como melhor agir a partir do resultado.

Como ler o teste

Todos os sabotadores que aparecem com pontuação > 7 em seu teste estão em um nível mais crítico e devem ser gerenciados. Se você teve vários nesta situação e/ou empatados, não se preocupe! Você pode segmentá-los em âmbito pessoal e profissional e priorizar um deles. De qualquer forma, priorize pelo menos dois sabotadores. Isso já ajudará naturalmente a enfraquecer os demais.

Se não concordou totalmente com o seu resultado, também não tem problema. A ideia é oferecer informações para que possa usar como ferramenta na sua autogestão. Se não concorda com algum(ns) deles, faça o mesmo caminho que sugeri acima. Priorize dois deles que percebe mais intensamente em si e, assim, já enfraquecerá o restante.

Para ajudar nesse processo de priorização e foco, há alguns livros interessantes como ‘A única coisa: o foco pode trazer resultados extraordinários para sua vida’ de Gary Keller e Jay Papasan; ‘Foco’, de Daniel Goleman; e ‘Atenção Plena: Mindfulness’, de Danny Penman e Mark Williams. Estas leituras auxiliam bastante também se você teve o ‘Inquieto’ como um de seus sabotadores.

Além disso, perceba as suas escalas. Os números foram, em geral, altos? Isso não é necessariamente de todo ruim, uma vez que demonstra que você tem autoconhecimento sobre si e seus pontos de fraqueza. Lembre-se: o autoconhecimento é o início de todo o processo de Inteligência Emocional!

Agora, vamos entender melhor o conceito central do livro.

Coeficiente de Inteligência Positiva

Segundo Chamine, a Inteligência Positiva é o domínio que temos sobre nossa mente. A partir disso, o Coeficiente de Inteligência Positiva (QP) é a força relativa do nosso Sábio. Sendo assim, nossos objetivos com a autogestão devem ser:

  • Enfraquecer os nossos sabotadores;
  • Fortalecer o nosso sábio;
  • Fortalecer os músculos do nosso cérebro QP.

Para começar esse processo, faça-se as seguintes perguntas:

  • Qual dos seus sabotadores mais te incomoda no dia-a-dia?
  • Quais ganhos você tem com esse sabotador?
  • Você, em geral, tem mais ganhos ou mais perdas com ele?

Entender os seus ganhos pode te ajudar a entender os gatilhos que te levam a agir com este sabotador. Por isso, tente trabalhar em cima deste gatilho para retomar o controle das suas atitudes e permitir que o seu sábio exerça sua força (QP).

Ciência das Emoções

Dentro da autogestão, além de controlar os nossos inimigos internos, é importante gerenciarmos as nossas emoções propriamente ditas. Para isso, podemos entender mais cientificamente como as sentimos.

Chamamos de ‘cerébro primitivo’ aquele que primeiro recebe as informações do ambiente; e este é justamente o responsável pela nossa intuição, emocional e reação. Uma parte do cérebro que é responsável pelo nosso emocional são as ‘gêmeas amígdalas’. Oposto a elas está o nosso ‘neocórtex’, o cérebro “moderno” que controla o nosso racional e nos ajuda a “respirar” em momentos de tensão.

Você já sentiu alguma vez que as informações “roubavam” sua capacidade de pensar racionalmente? Cientificamente, isto é chamado de ‘sequestro emocional’ e demanda que tenhamos gatilhos para ativarmos o nosso neocórtex novamente. Quando é feito o sequestro, mais ou menos é isso que acontece:

AmígdalasCorticais detectam as ameaças >
Acontece o sequestro emocional do neocórtex >
Buscamos padrões e repertórios para sabermos como agir >
Lutamos ou Fugimos

Por isso, quando se sentir ‘sequestrado emocionalmente’ uma próxima vez, utilize gatilhos para ativar o seu neocórtex. Para isso, pode usar a técnica PROR.

PROR em adversidades

Para lidar com as suas emoções, lembre-se desta técnica simples, que representa uma sequência de ações como:

  • PARE: dê tempo para o neocórtex se dar conta do que está acontecendo. Fazer uma contagem regressiva ou uma respiração mais profunda podem ajudar.
  • REFLITA: vale a pena? Você deve sempre escolher qual guerra lutar. Pode questionar-se até se o problema é realmente seu ou se outra pessoa é quem deveria resolvê-lo.
  • OBSERVE: emoções são contagiosas; por isso, analise racionalmente quais são os sentimentos que estão no ar. Nomeie os sentimentos dos outros e os seus. Quando nos tornamos adultos, acabamos perdendo a habilidade de diagnosticar nossas emoções. Neste ponto, vá além do superficial “estou bem”/”estou mal”. Tente identificar com mais exatidão os sentimentos. Além disso, você sente alguma sensação física? Sente alguma necessidade? Se sim, qual(is)? Lembre-se: as nossas necessidades geram expectativas e elas, dependendo se atendidas ou não, podem provocar sentimentos bons ou ruins
  • RESPONDA: aqui podemos conhecer mais um coeficiente: Coeficiente de Adversidade (QA). O quão bem responder a uma situação?

O ex-combatente do U.S. Navy Seals (marinha americana de alta performance), Jocko Willink, defende também em seu livro, palestras e podcasts algo semelhante:

“Relax. Look around. Make a call.”
Jocko Willink,
Extreme Ownership: How U.S. Navy SEALs Lead and Win

Para ajudá-lo(a) a saber como melhor responder, podemos balizar sempre dois tipos de escala: Nível de Gravidade da  Situação/ Problema (1 a 10) e Nível da Minha Resposta (1 a 10). Isso quer dizer que, antes de agir, dê uma pontuação para a gravidade do que está acontecendo e, a partir dela, saiba com que nível de resposta agir, considerando:

  • 1 a 3: respira e esquece. Pode ser usado para situações mais banais do cotidiano como ser fechado no trânsito ou não ter muitos likes em um post.
  • 4 a 6: responda calmamente. Pode ser uma situação em que te deram um troco errado, por exemplo.
  • 7 a 9: responda intensamente. Aqui são situações mais graves, quando alguém te xinga ou algo mais sério.
  • 10: caos. Brincadeiras à parte, mas aqui a situação te exige uma resposta profunda

Com essa escala em mente, podemos nos fazer uma série de outras questões, como: ‘Nas situações do seu dia a dia, como geralmente você responde?’ ‘Tendo uma situação de estresse em mente, você hoje mudaria a forma como reagiu?’

Assim como sugeri acima, técnicas de mindfullness (atenção plena), meditação e respiração podem nos ajudar bastante a pararmos e relaxarmos uns instantes. A partir daí, analisarmos a situação e emoções e, então, decidirmos racionalmente como agir ou a quem recorrer. Para nos ajudar a acalmar a mente, sugiro apps como o ‘Headspace’, ‘Zen’ e ‘Cíngulo’.

A maior lição que podemos tirar destes conteúdos é que o autoconhecimento das nossas emoções, sabotadores e impulsos/gatilhos é realmente essencial se queremos gerar mudanças em nossos comportamentos.

Precisamos aprender a pausar nossas mentes em meio à vida corrida sempre que necessário para enxergarmos com mais clareza as situações, os nossos sentimentos e os dos outros e, de forma racional e pensada, sabermos como melhor agir; a favor de nós e dos demais envolvidos. O nosso objetivo deve ser sempre zelar por relações ganha-ganha

Não podemos deixar que nosso lado mais primitivo tome controle do nosso ser e nos leve a ações das quais vamos nos arrepender no minuto seguinte. Essa é uma das grandes vantagens da nossa espécie Homo Sapiens, como bem diz Yuval Noah Harari em seu livro ‘Sapiens’.

Assim como temos 90% de controle sobre nossa felicidade, podemos ter controle majoritário sobre nossa mente e usar isso de forma sábia. Pessoas de alta performance em suas vidas e trabalho são aquelas que se conhecem bem, sabem gerenciar suas emoções e, sobretudo, são protagonistas de seus pensamentos e ações. Qualquer um de nós tem todo o potencial para chegar lá! Então, por que não começar agora?

P.S.: Os conceitos e ferramentas deste artigo retirei do curso ‘Inteligência Emocional’ da Conquer.

Ana Carolina Lafuente
Por Ana Carolina Lafuente

Carioca de nascença, paulista de coração, meio brasileira e meio espanhola. Ana Carolina é formada em Publicidade e Propaganda pela ESPM Rio. Apaixonada por comportamento humano, começou a se aproximar da área de Pessoas na empresa júnior da faculdade e não largou mais dela desde então. Descobriu seu amor pelo empreendedorismo e seguiu sua carreira ajudando principalmente startups ou empresas em crescimento exponencial. Atuou em Employer Branding na Stone Pagamentos, tempo em que se especializou no tema através de cursos na ESPM e Lemonade School. Recentemente, concluiu uma formação em Product Management pela PM3 e hoje toca a área de Employer Branding da Collact, plataforma de CRM e fidelização de clientes, detentora do app e diretório ‘Compre Local’ e investida da Stone Pagamentos. Além disso, Ana ama escrever, descobrir diferentes culturas, viajar, conhecer novos lugares, bares e restaurantes, cozinhar, fazer exercícios, yoga e não dispensa um bom café ou uma taça de vinho.