Algumas ideias para você e/ou sua empresa trabalharem o autoconhecimento

Em meu último texto no LinkedIn, eu falei um pouco sobre a importância das Soft Skills (principalmente nos tempos atuais) e, dentre elas, sobretudo, da Inteligência Emocional (IE) e da Adaptabilidade (relembre aqui).

Apresentei, inclusive, os 4 pilares que formam a Inteligência Emocional:

4 pilares que formam a Inteligência Emocional
  • Autoconhecimento: como eu me vejo;
  • Autogestão: como lido comigo;
  • Empatia: o que vejo no outro;
  • Gestão de Relacionamentos: como lido com os outros.

Além deles, citei também a Ativação Reticular, ou seja, a capacidade de estarmos focados(as) no momento presente e controlando para onde estamos direcionando nossa atenção, ou, em outras palavras, para onde estamos ativando nossa retina (que dá nome à competência). Com esta habilidade ativada, podemos, então, começar nossa jornada pelos quatro (4) pilares para, assim, desenvolvermos nossa Inteligência Emocional!

Neste texto, focarei apenas no primeiro ponto, dentro do âmbito pessoal da IE: o Autoconhecimento. Tentarei falar de ambas as perspectivas do indivíduo e das empresas; afinal, como comentei, estas também precisam ser emocionalmente inteligentes em seus mercados para conquistarem e manterem seu ‘sucesso’ e ‘referência’.

Vamos lá ao primeiro passo!

O AUTOCONHECIMENTO

Antes de mais nada, reflita: ‘Quem é você?’/’Quem é a sua organização?’ Tente fazer uma descrição de até um (1) minuto. Se estiver lendo este texto sob os olhos da empresa em que trabalha, pode até responder com a ajuda do seu time.

Quando pensamos sobre quem somos, devemos considerar nossas crenças,atitudes, o que já conquistamos na vida e, por fim, nosso repertório. Por quê? Porque esses fatores formam o que chamamos de ‘Ciclo da Ação’.

Pense bem: nossas crenças (verdades e pensamentos que criamos sobre nós e sobre o mundo) geram atitudes e estas geram resultados. Por fim, estes resultados são armazenados conosco em nosso repertório (que é a bagagem de situações e momentos que carregamos desde pequenos). Isso serve igualmente às empresas.

Então, qual o nosso objetivo aqui? Estarmos em um processo contínuo de autoconhecimento; afinal, nossas crenças sempre mudam com o tempo e, assim, todo o restante do ciclo da ação muda frequentemente também. Por isso, ninguém pode dizer com toda a certeza de que conhece a si mesmo(a) e finalizar o processo.

A primeira coisa que temos que ter é o mindset de que sempre estamos em transformação e evolução e, assim, sempre devemos (re)conhecer a nós mesmos. Entendendo nossas crenças, podemos controlar nossas atitudes, influenciar nossos resultados e construir o repertório mais alinhado possível ao que desejamos de nossas vidas.

Mas, como podemos entender nossas crenças? Para isso, é interessante analisarmos nosso Arsenal de Autoconhecimento; ‘arsenal’ porque, sim, temos diversas armas para nos ajudar neste processo. É preciso que nós e nossas empresas tenham clareza sobre si e sejam capazes de revelar aos outros os traços mais autênticos da sua personalidade. Só a partir daí, podemos conhecer nossos sabotadores internos e gerir nossas emoções e

impulsos, entrando no segundo passo da IE: Autogestão (falarei sobre elano próximo texto!).

O Arsenal de Autoconhecimento é formado também por alguns passos, assim como a Inteligência Emocional. São eles:

Os 6 passos do Arsenal de Autoconhecimento:

  1. Principais Realizações;
  2. Paixões;
  3. Força;
  4. Repertório;
  5. Referências;
  6. Propósito.

Vamos ver cada um deles adiante.

#1 Principais Realizações

Para começar este exercício, pense: ‘O que você/sua empresa atingiu até agora?’

Pode pensar aqui em uma série de questões, como:

  • Qual(is) prêmio(s) ou concurso(s) já ganhou na vida?
  • Passou em algum exame ou recebeu alguma certificação relevante?
  • Pelo que as pessoas te admiram? Se tiver dificuldade de responder, pode perguntar até a amigos, conhecidos e colegas de trabalho.
  • O que te fez crescer/aprender/se desenvolver muito ao longos dos anos?

Uma dica é, de fato, por isso (e todos os passos seguintes) em uma folha de papel. É cientificamente comprovado que, quando escrevemos algo, nosso nível de absorção e retenção no cérebro aumentam consideravelmente!

#2 Paixões

Neste tópico, devemos nos questionar sobre ‘Quais atividades, interesses ou assuntos que me fascinam, empolgam e energizam?’

Pense no que já te fez ou faria sair da cama às 6h da manhã empolgado(a) ou até no que costuma falar de forma animada a outras pessoas. Vai ser super importante ter isso claro a você/sua empresa quando chegarmos no passo 6, Propósito.

#3 Força

‘Quais as suas forças?’ Todos nós e todas as empresas temos diversas delas, mas é importante entender quais são mais predominantes e que podem ser ativadas para nos ajudar a superar os desafios do dia a dia e minimizar fraquezas e riscos.

Se precisar de ajuda para identificar as suas, pode fazer este teste da Via Character, que comentei em outros textos. Caso queira ir ainda mais além nesta descoberta, pode ler o livro ‘Descubra seus pontos fortes 2.0’, do reconhecido Instituto Gallup.

#4 Repertório

Como vimos, o repertório é a bagagem de situações e momentos que carregamos desde pequenos, ou desde o início da empresa. Por isso, pergunte-se: ‘O que já viveu para ser como é hoje?’

Aqui, pode pensar em um oceano de coisas também, como:

  • Livros, filmes e músicas que te marcaram;
  • Conselhos e frases que não foram esquecidas;
  • Mudanças e pessoas importantes na sua vida;
  • Seu papel na família/companhia da qual faz parte, mercado em que atua e/ou sociedade;
  • Lembranças ainda vivas;
  • Etc.

Fazer esse exercício com plena consciência e sentimento de alegria e gratidão também pode te dar benefícios extras! Como comentei neste texto, uma prática super interessante para nossa felicidade é cultivar emoções positivas. Dentro disso, experienciar gratidão pode fazer você sentir uma conexão social mais forte, sentir-se mais feliz e até mais saudável (porque melhora o seu humor e reduz os níveis de estresse).

Com o repertório bem delineado, vamos ao quinto passo.

#5 Referências

A pergunta aqui é: ‘Quem é seu mestre?’

Quer um fato curioso? Acredite ou não, mas costumam dizer que nosso maior mestre é a pessoa que mais no irrita. Pode ser sua mãe, pai, irmão ou irmã, gestor(a), companheiro(a), algum investidor e até mesmo concorrente (na perspectiva da empresa).

Depois que tiver esta resposta mais clara, questione-se também: ‘Por que essa pessoa te irrita?’ Tente pensar em até 3 características ou atitudes que ela faz, também refletindo conscientemente sobre cada uma delas.

Com esse entendimento, podemos partir para o sexto e último passo da nossa jornada de Autoconhecimento!

#6 Propósito

Este tema é tão importante e crucial a nós que escrevi um texto inteiro sobre ele! Vale a pena conferir depois, se fizer sentido a você. Mas, vou dar uma visão geral aqui sobre o que é e como encontrar o nosso propósito.

Como apresentei no texto, o Propósito é uma necessidade psicológica básica, algo inerente a nós e que nos põe em movimento/ação para encontrarmos sentido na vida. Propósito é a maior contribuição que você pode entregar para as pessoas e para o mundo, ele vai além de você.

Uma das questões aqui é: ‘O quanto você vive hoje a partir do seu propósito?’ No texto, eu compartilhei um teste simples para você entender a sua Escala de Propósito. No entanto, isso passa antes por entender ‘Qual o seu propósito?’.

Repare que eu não escrevi ‘construir’ ou ‘criar’. Eu escrevi ‘entender’, justamente porque o propósito não é algo que criamos ou produzimos propositalmente, ele é algo que encontramos e descobrimos em nós mesmos. É algo com o qual nos reconectamos!

Por isso, vou resumir aqui algumas perguntas que você pode se fazer para ajudar a se reencontrar com seu propósito (ou o da sua empresa):

  • O que você busca para si? No que você é bom/boa?
  • O que você busca dar a outros? Como pretende ajudar as pessoas?
  • Qual sua causa neste mundo? Pelo que quer lutar?

Para entender seu propósito, é interessante usar um framework super simples, mas que nos permite enxergar como alinhar nossas paixões (o que amamos fazer), nossas forças (no que somos bons), nossas habilidades (o que poderíamos ser pagos para fazer) e nossas causas (o que o mundo precisa). Aliás, sobre isso, sugiro ler mais sobre o conceito de ‘Ikigai’. Este texto do NaPrática fala um pouco sobre.

O framework é:

“Usando minhas capacidades de ________________________,

eu pretendo ajudar a _______________________________

para, então, me sentir ______________________________”

Tente completar aí e veja o que descobre!

Por fim, vamos refazer aquele primeiro exercício? Com base em tudo o que percebeu durante os seis passos, questione-se novamente agora: ‘Quem é você?’/’Quem é a sua organização?’

Tente fazer uma nova descrição de até um minuto. Repare se mudou bastante coisa. Qual versão te representa de forma mais autêntica? De forma mais ‘verdadeira’?

Conhecer a nós mesmos traz mais verdade às nossas vidas, não é mesmo? Além disso, quando conhecemos melhor nós mesmos, conseguimos ser mais eficientes em gerir nossas emoções e impulsos e também em entender os outros e gerir nossos relacionamentos com eles. É por este motivo que o autoconhecimento é justamente o primeiro fundamento-base da nossa Inteligência Emocional e um dos maiores entendimentos que podemos ter na vida. Como já dizia Sócrates:

“Conhece-te a ti mesmo”

Ana Carolina Lafuente
Por Ana Carolina Lafuente

Carioca de nascença, paulista de coração, meio brasileira e meio espanhola. Ana Carolina é formada em Publicidade e Propaganda pela ESPM Rio. Apaixonada por comportamento humano, começou a se aproximar da área de Pessoas na empresa júnior da faculdade e não largou mais dela desde então. Descobriu seu amor pelo empreendedorismo e seguiu sua carreira ajudando principalmente startups ou empresas em crescimento exponencial. Atuou em Employer Branding na Stone Pagamentos, tempo em que se especializou no tema através de cursos na ESPM e Lemonade School. Recentemente, concluiu uma formação em Product Management pela PM3 e hoje toca a área de Employer Branding da Collact, plataforma de CRM e fidelização de clientes, detentora do app e diretório ‘Compre Local’ e investida da Stone Pagamentos. Além disso, Ana ama escrever, descobrir diferentes culturas, viajar, conhecer novos lugares, bares e restaurantes, cozinhar, fazer exercícios, yoga e não dispensa um bom café ou uma taça de vinho.